macroeconomia

Prévia da inflação, IPCA-15 surpreende e vem acima do esperado em fevereiro

Entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, os de transporte e educação tiveram as principais contribuições para a alta de 0,84% no mês
27 de fevereiro de 2026

A prévia da inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 0,84% em fevereiro.

O resultado veio bem acima da alta de janeiro (+0,20%) e do esperado pelo mercado (0,56% na projeção Broadcast).

Em relação à projeção do ASA, que esperava alta de 0,45%, houve surpresa em passagem aérea (+16 bps), veículo próprio (+7 bps) e cuidados pessoais (+6 bps). A surpresa desse IPCA-15 está entre as maiores do passado recente de projeções.

A média de núcleos teve taxa mensal de 0,66% (ante mediana Broadcast de 0,48% e projeção do ASA de 0,43%). Também em relação à nossa projeção, destaque para a surpresa em cuidados pessoais e serviços veiculares (que após meses de contínua deflação, tiveram forte elevação na margem em fevereiro).

Transportes e educação

Do lado qualitativo, o resultado foi puxado por transportes (1,72%, impacto de 0,35 p.p.) e educação (5,20%, impacto de 0,32 p.p.). Em transportes, destaque para passagens aéreas (11,64%) e reajustes relevantes no transporte público em diversas capitais, além da alta de combustíveis (1,38%).

Leia mais: ASA revisa projeções e vê corte de 0,50 pp da Selic em março

Em educação, a pressão veio majoritariamente de cursos regulares (6,18%), com reajustes típicos de início de ano letivo. Em habitação, houve leve alta (0,06%), com avanço de água e esgoto e aluguel, parcialmente compensados por queda em energia elétrica (1,37%).

Já em alimentação no domicílio, a variação foi contida, com alta em tomate e carnes, mas queda em arroz, frango e frutas.

Regionalmente, São Paulo registrou a maior alta, influenciada por passagens aéreas e cursos regulares, enquanto Recife teve a menor, com quedas em transporte por aplicativo e energia elétrica.

"O dado configurou enorme surpresa frente às projeções. Embora itens mais voláteis tenham pressionado de forma relevante (passagens aéreas, cuidado pessoal), também houve pressão disseminada nos núcleos", diz Leonardo Costa, economista do ASA.

O núcleo de serviços surpreendeu de forma significativa, com serviços veiculares respondendo por quase um terço da alta mensal dos núcleos (aproximadamente 20 bps dos 0,66%).

"Esse subitem vinha de meses de deflação relativamente moderada e apresentou forte aceleração em fevereiro, o que levanta dúvida entre mudança de patamar ou aumento de volatilidade nas leituras mensais", destaca Costa.

Inflação em fevereiro

O economista afirma que a leitura para o IPCA fechado de fevereiro é pior, com balanço qualitativo deteriorado.

Entre os itens que ele diz julgar menos persistentes estão a alta de passagens aéreas e parte da pressão em serviços veiculares (mas com elevada incerteza, caso haja devolução das deflações recentes).

"Em nossa avaliação, trata se de uma leitura significativamente pior do que o esperado, tanto no cheio quanto na métrica de núcleos. Ainda que parte da surpresa esteja concentrada em itens voláteis, a difusão em serviços e a magnitude do núcleo exigem cautela adicional na avaliação do cenário inflacionário de curto prazo", completa.

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