O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,33% em janeiro na comparação mensal, repetindo a taxa observada em dezembro. O resultado veio acima do esperado pela mediana Broadcast (+0,32%) e pelo ASA (+0,30%).
Em 12 meses, a inflação acumula alta de 4,44%, acima dos 4,26% observados no encerramento de 2025. Na margem, o resultado veio com surpresa em combustíveis e cuidados pessoais, compensado parcialmente pela menor taxa mensal de alimentos.
A média de núcleos apresentou variação mensal de +0,45% (Broadcast: +0,40%, ASA: +0,39%). No acumulado em 12 meses, os núcleos avançam +4,44%, sinalizando persistência inflacionária nas medidas subjacentes.
Na margem, a surpresa ficou concentrada nos bens industrializados, ainda contando com a volatilidade dos descontos da Black Friday (da última semana de novembro, que avançou sobre dezembro e normaliza apenas agora, em janeiro).
Entre os grupos, transportes foi o principal destaque de alta no mês (+0,60%, impacto de 0,12 p.p.), puxado sobretudo por combustíveis (efeito da alta de imposto estadual) e por reajustes em tarifas de transporte urbano.
Comunicação também apresentou variação elevada (+0,82%), influenciada por aparelhos telefônicos e serviços de telecomunicações. Saúde e cuidados pessoais (+0,70%) contribuiu de forma relevante, refletindo aumentos em higiene pessoal e planos de saúde.
Em sentido oposto, habitação recuou (-0,11%), com destaque para a queda da energia elétrica residencial, enquanto vestuário também apresentou variação negativa (-0,25%).
Já alimentação e bebidas desacelerou para +0,23%, com queda relevante em itens como leite longa vida e ovos, parcialmente compensada por altas em tomate e carnes.
"Em termos qualitativos, o IPCA de janeiro reforça um quadro de inflação corrente ainda pressionado por componentes de serviços e itens sensíveis à renda e à dinâmica do mercado de trabalho", avalia Leonardo Costa, economista do ASA.
Nos serviços subjacentes, Costa destaca a média móvel de 3 meses, que desacelerou para 4,6% (de 5,0% no mês passado), operando acima do teto do regime de metas de inflação.
"Com volatilidade por conta dos descontos de final de ano, a média móvel de 3 meses da inflação subjacente de bens avançou para 3,2% (de 2,3% no mês anterior)", aponta.
O ASA projeta IPCA de 4,0% em 2026. "A inflação de curto prazo tende a ser benigna, trazendo o IPCA em 12 meses para próximo da meta nos próximos meses, efeito do movimento benigno de alimentos e do corte de preço da gasolina; além da desaceleração gradual dos serviços", destaca Costa.
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