O time de macroeconomia do ASA revisou nesta quinta-feira (12) suas projeções para indicadores econômicos, como inflação, câmbio e Selic em meio à uma evolução positiva do cenário doméstico.
Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que a inflação corrente tem se beneficiado da queda das commodities agrícolas e da valorização do câmbio, e a expectativa é de taxas mensais mais baixas nos próximos meses.
"Os indicadores de atividade econômica indicam moderação ainda gradual, com ritmo de crescimento mais fraco no último trimestre de 2025", avalia.
Na cena externa, a despeito do aumento da incerteza geopolítica, o ambiente tem sido favorável ao Brasil, com valorização do real e aumento do apetite externo por ativos domésticos.
Entre os riscos, o principal segue sendo o risco eleitoral, com potencial de aumentar a volatilidade doméstica ao final de 2026, ainda que não esteja sendo o quadro deste início do ano.
Diante deste quadro marginalmente mais favorável, a avaliação do time de macroeconomia do ASA é que o Banco Central, que já indicou o início do ciclo de corte de juros para a próxima reunião do Copom, deve reduzir a taxa Selic em 0,50 ponto percentual em março. Antes, a projeção era de corte de 0,25 pp.
A taxa terminal da Selic (isto é, no fim do ciclo de cortes) é projetada em 12% para o final de 2026 e 2027. Em comunicados e falas recentes, o Banco Central tem indicado um ritmo de corte mais forte neste começo de ciclo.
Incerteza global e câmbio
A incerteza geopolítica global tem se traduzido em um movimento de dólar mais fraco, o que tem reverberado via aumento do apetite ao risco por países emergentes e levado à valorização do real.
O ASA revisou para baixo a sua projeção final do dólar, em dezembro de 2026, para R$ 5,50 (de R$ 5,70) e para o final de 2027, de R$ 5,75 para R$ 5,55.
Inflação
A inflação tem colhido os efeitos da valorização do real, especialmente no grupo de alimentação no domicílio. Além disso, a inflação de curto prazo deve se beneficiar do corte do preço da gasolina nas distribuidoras.
Com isso, o ASA agora projeta IPCA de 3,6% em 2026, ante 4,0% anteriormente. O IPCA de 2027, por sua vez, é projetado em 4,0%, sem o efeito deflacionário do câmbio e considerando a manutenção de um patamar elevado da inflação subjacente de serviços em um quadro de mercado de trabalho e atividade ainda fortes.
Fiscal e PIB
Pelo lado fiscal, espera-se uma condução bem em linha com os últimos dois anos, com um resultado para fins de cumprimento da meta próximo ao limite inferior da banda, mas com um déficit primário do Governo Central superior à R$ 60 bilhões, em função do volume de abatimentos permitidos pela legislação.
Em um cenário de taxa ímplicita em patamares elevados ao longo deste ano, e de deterioração do resultado dos governos regionais em relação a 2025, espera-se que a Dívida Bruta do Governo Geral feche 2026 em 83,5% do PIB (Produto Interno Bruto).
O PIB é projetado em 2,0% em 2026 e 2,0% em 2027. O risco é de crescimento mais forte, haja vista o desconto do Imposto de Eenda que passou a vigorar neste ano.
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