macroeconomia

ASA revisa projeção para política monetária e vê corte da Selic em março

Mudança de cenário vem em meio à deterioração marginal do balanço de riscos, somada a um quadro de aumento da incerteza política doméstica
23 de janeiro de 2026

Em meio à deterioração marginal do balanço de riscos para a política monetária, o ASA revisou o cenário para os juros no Brasil e agora vê um corte da Selic apenas em março.

O movimento vem em meio à maior volatilidade do cenário externo após eventos geopolíticos e políticos envolvendo economias centrais e países emergentes (Estados Unidos, União Europeia e Venezuela, mais notadamente), o que gerou episódios de estresse no câmbio e em algumas commodities.

“Embora parte desses movimentos tenha sido revertida, a curva de juros reduziu a precificação de cortes no curto prazo, sugerindo maior aversão a risco e manutenção de prêmios de incerteza elevados”, avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

Com isso, o início do ciclo de cortes da Selic, que antes era projetado pelo time de macroeconomia para janeiro, foi postergado para março, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual pelo Banco Central.

Neste cenário, a taxa terminal da Selic (no final do ciclo de cortes) subiu para 12,5%, ante 11,75% anteriormente.

As projeções de inflação permanecem em 4,0% em 2026 e 3,5% em 2027, enquanto o crescimento do PIB segue estimado em 2,0% em ambos os anos.

Ambiente doméstico

No cenário doméstico, dados recentes do IBGE e do Banco Central, especialmente no mercado de trabalho, mostram uma atividade que segue em ritmo ainda forte, com desaceleração muito gradual.

Desde a reunião de dezembro, as expectativas de inflação de médio e longo prazos permaneceram estáveis, embora acima da meta de 3,0%.

Além disso, a inflação corrente segue em patamar elevado, próxima ao teto do regime de metas, com desaceleração ainda lenta dos núcleos, em particular da inflação subjacente de serviços.

Costa destaca que o aumento recente da incerteza política doméstica, em vistas da disputa presidencial no final do ano, também contribuiu para maior cautela dos agentes e ajudou a limitar uma reprecificação mais benigna dos ativos locais.

Cenário externo

Nos Estados Unidos, o time de macroeconomia do ASA espera uma taxa de juros estável ao longo de todo o ano, dada a resiliência da atividade econômica e os riscos à inflação relacionados a possíveis estímulos fiscais.

Andressa Durão, economista do ASA, avalia que os riscos inflacionários seguem se sobrepondo aos riscos para o emprego, e que o balanço de riscos ainda não oferece "conforto suficiente para uma normalização da política monetária".

"A possibilidade de um ambiente fiscal mais expansionista neste ano e os riscos geopolíticos no radar se somam a uma inflação de serviços ainda acima da meta. Esses fatores tendem a atuar contra o processo desinflacionário e justificam a manutenção de uma postura cautelosa por parte do Comitê", diz Andressa.

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