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Macroeconomia

Copom corta Selic e deixa próximos passos no escuro

Com a decisão unânime, a taxa passou para 14,25% ao ano, movimento que já era amplamente aguardado pelos agentes do mercado
17 de junho de 2026

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu dar continuidade ao seu ciclo de flexibilização monetária, reduzindo a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual.

Com a decisão unânime, a taxa passou de 14,50% para 14,25% ao ano, um movimento que já era amplamente aguardado pelos agentes do mercado financeiro e reflete a tentativa da autoridade monetária de equilibrar um cenário doméstico de atividade econômica resiliente com pressões inflacionárias que ainda preocupam.

Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, o Copom entregou um corte, mas, a despeito de sua leitura mais dura no cenário e nas projeções, segue intencionalmente ambíguo na sinalização de seus próximos passos.

Para o especialista, a autoridade monetária joga com a mudança de seu horizonte relevante, observando a inflação no primeiro trimestre de 2028, para deixar aberta a porta para novos cortes, um movimento menos duro.

Embora tenha reconhecido a necessidade de ajustar os juros, o colegiado enfatizou que o ritmo e a magnitude total do ciclo de descompressão dependerão estritamente da evolução dos indicadores econômicos nos próximos meses.

O documento destaca que, embora o mercado de trabalho brasileiro demonstre um vigor inesperado e setores sensíveis aos juros tenham apresentado recuperação no primeiro trimestre de 2026, a inflação ainda se mostra persistente.

"O Banco Central explicita o risco de estímulos ao consumo levarem a economia a crescer acima do produto potencial, reduzindo a potência dos canais de transmissão da política monetária".

Esse diagnóstico se soma a outros riscos, como a desancoragem prolongada, a inflação de serviços resiliente e possíveis pressões cambiais.

Tanto o índice geral (IPCA) quanto as medidas de inflação subjacentes estão operando acima da meta de 3%, com as expectativas de mercado para 2026 e 2027 ainda desancoradas, o que impõe um limite claro para cortes mais arrojados.

O cenário externo adiciona uma camada extra de complexidade às decisões do BC, com o comitê citando explicitamente a persistência dos conflitos no Oriente Médio, que mantém sob constante incerteza o comportamento das commodities e a volatilidade dos ativos financeiros globais.

Ainda segundo Leonardo Costa, o ponto mais relevante da decisão reside na comunicação.

"Embora o modelo aponte inflação acima da meta no horizonte relevante, o BC enfatiza a incerteza ao redor dessas projeções e afirma explicitamente que há múltiplas trajetórias possíveis para garantir a convergência".

O Comitê reforçou que está pronto para recalibrar o ritmo de ajustes caso as expectativas de inflação não voltem a convergir para o centro da meta.

Com essa decisão, a atenção do mercado agora se volta para a divulgação da próxima ata e para os dados de inflação que serão cruciais para definir o tom da reunião de agosto.

Conforme projeta o economista do ASA, a expectativa central era de encerramento do ciclo nesta reunião, contudo, o Banco Central abriu uma possibilidade real de seguir no processo de calibragem, esperando o desenrolar do cenário até o próximo encontro.

Leia também: BC americano mantém juros inalterados, mas sinaliza possível alta em 2026

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