Seja nosso cliente
Português
asa.com.br
English
asa.com.br/en
English
asa.com
Macroeconomia

Ata do Copom: BC vê inflação pior e adota cautela

Leonardo Costa, economista do ASA, explica que o diagnóstico do BC segue mais duro, indicando assimetria dos riscos de inflação
23 de junho de 2026

A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central trouxe uma mensagem clara: o ambiente inflacionário piorou desde a última reunião, revelando um quadro mais desafiador tanto em relação aos indicadores atuais de preços quanto às projeções de longo prazo.

Mesmo diante dessa deterioração, que inclui expectativas de inflação acima da meta para 2026 e 2027, o colegiado optou por reduzir a taxa básica de juros para 14,25% ao ano.

Leonardo Costa, economista do ASA, explica que o diagnóstico do BC segue mais duro, indicando assimetria dos riscos de inflação, além de toda piora conjuntural já explicitada no comunicado da semana passada.

"Em cenário mais duro, o BC argumenta em favor de uma estratégia gradual, com eventuais pausas e retomadas no ciclo, que reduz oscilações na atividade e leva a inflação à meta apenas no primeiro trimestre de 2028."

Essa estratégia gradual é uma resposta à necessidade de equilíbrio. O Banco Central rejeitou movimentos mais bruscos nos juros, avaliando que alterações agressivas poderiam gerar volatilidade excessiva e efeitos contraproducentes. Conforme ressaltado pelo economista:

"O Comitê indica que rejeitou essas trajetórias muito discrepantes, avaliando que movimentos tão bruscos poderiam gerar volatilidade excessiva nos preços de ativos financeiros e nos agregados macroeconômicos, com efeitos contraproducentes, optando assim por um caminho menos extremo."

O cenário é marcado por incertezas, especialmente vindas do exterior, com tensões geopolíticas no Oriente Médio impactando os preços de commodities e ativos financeiros. Internamente, o mercado de trabalho mostra resiliência e a política fiscal permanece como um ponto de atenção.

Sobre o balanço de riscos, o BC adotou uma postura mais explícita.

"O principal destaque é que o balanço de riscos passou a ser explicitamente caracterizado como assimétrico altista, com a inclusão do risco relacionado a estímulos à demanda agregada, especialmente ao consumo, podendo levar a um crescimento acima do produto potencial e enfraquecer os canais de transmissão da política monetária."

A condução da política monetária seguirá dependente dos dados. O Copom reforçou que, embora a meta seja a convergência da inflação, a postura atual é de cautela para evitar reações exageradas a choques temporários de oferta, buscando ajustar a Selic conforme a evolução do cenário econômico global e doméstico.

"Nosso cenário é de Selic estável em 14,25% no resto de 2026 (principalmente pela assimetria do balanço de riscos), contudo, aumentou o risco de corte adicional de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto (caso haja melhora do cenário)."

Leia também: Por que essa é a hora do crédito privado atrelado à inflação?

Usamos dados pessoais e cookies para analisar o uso de nosso site, direcionar conteúdos e anúncios personalizados e aprimorar a sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa política de privacidade e política de cookies.