Os títulos de renda fixa prefixados se destacaram em rentabilidade em 2025, com o índice liderando o desempenho do mercado pela primeira desde 2017. Os dados são da Anbima, a associação que regula o setor.
Os maiores rendimentos vieram dos papéis com vencimento superior a um ano, refletidos no IRF-M 1+, que registrou alta de 20,07% no ano.
Já os prefixados mais curtos (com prazo de até um ano) cresceram 14,76%, segundo o desempenho do IRF-M 1.
A última vez que o IRF-M 1+ teve a maior variação entre os indicadores da Anbima foi em 2017, quando a taxa Selic variou seis pontos percentuais, saindo de 13% em janeiro para 7% em dezembro.
Fabiano Zimmermann, head de renda fixa do ASA, destaca que a elevada rentabilidade dos títulos prefixados em 2025 está diretamente relacionada ao ciclo monetário vivido pelo Brasil desde 2024.
Isso porque, após um período marcado por retornos nominais negativos, parte relevante da recuperação observada decorreu de um efeito base, isto é, da devolução dos prêmios elevados pelos quais esses papéis eram negociados ao final de 2024.
Neste contexto, as taxas de juros futuras chegaram a patamares historicamente altos, refletindo incertezas fiscais, inflação ainda resistente e prêmios de risco mais elevados exigidos pelo mercado.
Correção dos prêmios
Ao longo do primeiro semestre de 2025, parte dessas incertezas foi sendo gradualmente dissipada.
O real se apreciou, as expectativas de inflação recuaram de forma significativa e o quadro fiscal apresentou um impulso próximo da neutralidade.
Com isso, os prêmios embutidos nas curvas de juros começaram a ser corrigidos, e o início do ciclo de cortes passou a ser precificado pelo mercado, com uma expectativa em torno de 250 pontos-base de redução.
O ASA projeta corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom de março. (atualizado em 23 de janeiro)
Prefixados em 2026
Para 2026, o nível excepcional de rentabilidade dos prefixados não deve se repetir com a mesma magnitude, segundo Zimmermann.
Ele avalia que caso o cenário-base de inflação controlada e política monetária mais previsível se confirme, os juros futuros devem permanecer em patamares mais baixos e estáveis, o que reduz o potencial de ganhos via marcação a mercado.
“Ainda podem surgir, contudo, oportunidades nos títulos prefixados, especialmente diante de novos choques de risco ou de uma reprecificação das expectativas fiscais. Mas os retornos tendem a ficar mais próximos do juro contratado, e não de ganhos extraordinários como os observados em 2025”, diz.
Zimmermann destaca que a atividade econômica ainda resiliente não permite, por ora, projetar cortes mais agressivos da taxa Selic. Ainda assim, um cenário de recessão não pode ser descartado, dado o nível elevado dos juros reais, atualmente em torno de 11% ao ano.
“Nesse contexto, poderíamos observar uma reancoragem ainda maior das expectativas de inflação e a possibilidade de uma Selic terminal, ao final do ciclo, mais próxima de 11%, o que abriria espaço para um novo rali nos ativos prefixados”, conclui.
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