Títulos de renda fixa privados, em especial aqueles isentos de Imposto de Renda, são os preferidos dos investidores brasileiros do segmento alta renda, segundo dados da Anbima, a associação que regula o setor.
Em janeiro, o volume investido no mercado financeiro por esse perfil de cliente somou R$ 3,2 trilhões. A preferência ficou com os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), seguidos pelas LCAs e LCIs (Letras de Crédito Agrícola e Imobiliário).
Os clientes do varejo alta renda, com patrimônio financeiro investido acima de R$ 300 mil ou R$ 500 mil, investiram R$ 557 bilhões, R$ 190 bilhões e R$ 107 bilhões, repectivamente, nesses produtos no período.
Depois dos isentos, os maiores investimentos ficaram com previdência privada (R$ 865 bilhões) e fundos de investimento (CVM 555), com montante de R$ 647,8 bilhões.
Dentre os fundos, o destaque ficou com os de renda fixa, seguidos pelos multimercados, com volume de R$ 472 bilhões e R$ 113,3 bilhões, respectivamente.
A Selic de dois dígitos tem contribuído para uma preferência por produtos de renda fixa, com retornos atrativos e mais conservadores. E o movimento deve continuar, pelo menos nos próximos meses.
O relatório Focus, do Banco Central, por exemplo, projeta uma Selic de 12% em dezembro deste ano. Para o final de 2027, a expectativa é de taxa a 10,50%.
Private
No segmento private, que engloba clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, os fundos de investimento lideraram a preferência em janeiro, com volume investido de R$ 889,5 bilhões.
Na sequência, vieram os títulos privados, com um total de R$ 800,2 bilhões. Neste caso, LCIs e LCAs lideraram os aportes, seguidos pelos CDBs.
Aqui, a renda variável também teve participação, com investimento de R$ 594,2 bilhões em ações.
Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, destacou em nota que há uma parcela relevante dos clientes do segmento private que aloca patrimônio no exterior, o que ainda não aparece nas estatísticas da associação.
Raio-x dos investimentos em 2025
Em 2025, o volume investido por pessoas físicas no Brasil chegou a R$ 8,5 trilhões, um aumento de 15,5% na comparação anual, segundo a Anbima.
O total investido por clientes do varejo alta renda foi R$ 3,13 trilhões, aumento de 21,2% ante dezembro de 2024.
O perfil, que é responsável por 36,4% das aplicações totais, teve o maior aumento do volume aplicado em relação aos demais (varejo tradicional e private).
O segundo maior volume de aplicações no ano veio do varejo tradicional, com R$ 2,82 trilhões. Já o private encerrou 2025 com R$ 2,63 trilhões.
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