Os fundos multimercados somaram captação líquida (aportes menos resgates) de R$ 17,3 bilhões em janeiro, o melhor resultado desde junho de 2021, segundo dados da Anbima, a associação que regula o setor.
O desempenho foi o segundo maior entre todas as classes de fundos e contribuiu para manter o saldo positivo da indústria, que acumula R$ 75,3 bilhões de entradas líquidas no mês – o segundo melhor desempenho mensal do setor desde 2021.
O time de alocação de investimentos do ASA destaca que os multimercados ocupam um papel central na alocação de longo prazo, justamente pela flexibilidade que o próprio nome traduz: a capacidade de atuar de forma dinâmica em diferentes mercados e classes de ativos.
Ao longo dos últimos ciclos, a combinação de gestores com expertises complementares — como juros globais, juros locais, moedas e commodities — mostrou-se fundamental para a construção de portfólios mais resilientes e eficientes.
E essa diversificação estratégica se traduziu historicamente em melhor relação entre risco e retorno, com maior capacidade de preservação de capital em cenários adversos e geração consistente de alfa ao longo do tempo.
Em janeiro, os multimercados long and short direcional — que operam posições compradas (aposta na alta) e vendidas (aposta na queda) em ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável — lideraram os ganhos, com rentabilidade de 2,30%.
Queda da Selic à vista
Com a perspectiva de queda dos juros, a expectativa é de que os fundos multimercados voltem a ganhar a atenção dos investidores. O ASA projeta corte de 0,50 ponto percentual da Selic em março.
Isso porque, em ciclos de afrouxamento monetário no Brasil, a classe tende a ampliar sua capacidade de captura de oportunidades, beneficiando-se tanto da compressão das curvas de juros quanto do maior apetite a risco nos mercados globais
Além disso, a performance expressiva observada em 2022 — quando diversos fundos multimercados entregaram retornos de dois dígitos, sustentados por posições na alta dos juros americanos, moedas e estratégias macro globais — evidenciou a robustez da gestão ativa mesmo em um dos ambientes mais desafiadores da história recente.
Olhando à frente, o time de alocação de investimentos do ASA avalia que o atual estágio do ciclo, combinado com valuations mais atrativos e um conjunto amplo de estratégias disponíveis, "nos deixa especialmente animados com o retorno prospectivo da classe, reforçando sua relevância como vetor de diversificação e geração de valor nas carteiras".
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