A indústria brasileira de fundos de investimento registrou no primeiro trimestre deste ano o melhor resultado para o período dos últimos cinco anos.
O desempenho veio apesar das incertezas tanto no ambiente doméstico quanto no internacional, e mostra a importância da diversificação independentemente do cenário.
Entre janeiro e março deste ano, a captação líquida (aportes menos resgates) alcançou R$ 159,2 bilhões, segundo dados divulgados pela Anbima, a associação que regula o setor.
O resultado representou um salto expressivo em relação aos R$ 8,3 bilhões apurados nos mesmo período do ano passado, e levou o patrimônio líquido da indústria de fundos a R$ 10,8 trilhões.
Renda fixa lidera entradas
Com os juros ainda em dois dígitos, o avanço foi impulsionado principalmente pelos fundos de renda fixa.
A categoria teve captação líquida positiva de R$ 130,3 bilhões no período, mais do que o dobro do observado no primeiro trimestre do ano passado, quando somou R$ 58,3 bilhões.
A maior contribuição veio dos fundos do tipo "duração baixa crédito livre", responsáveis por R$ 61,8 bilhões do total. Esses produtos podem manter mais de 20% da carteira alocada em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.
No trimestre, esss fundos tiveram valorização de 3,4%, em linha com a variação do CDI e acima da rentabilidade média da categoria no período, de 2,6%.
Multimercados mostram resiliência
Os multimercados também encerraram o trimestre no campo positivo, com captação líquida de R$ 11,2 bilhões.
Considerando os resultados dos primeiros trimestres desde 2022, esta é a primeira vez que a categoria registra saldo positivo no período, segundo a Anbima.
Embora o desempenho tenha sido influenciado majoritariamente por um único fundo — responsável por cerca de R$ 11 bilhões do total —, o dado aponta uma reversão relevante frente ao mesmo período de 2025, quando os multimercados registraram resgates líquidos de R$ 30,1 bilhões.
Entre os multimercados, o melhor resultado foi dos fundos do tipo "long & short direcional", que fazem operações com ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável, por meio de posições compradas (aposta na alta) e vendidas (aposta na queda).
No acumulado dos três primeiros meses do ano, esses fundos alcançaram rentabilidade de 3,36%, desempenho superior ao do IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA), que recuou 0,05% no mesmo período e da rentabilidade média da classe no trimestre, de 1,7%.
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