O Ibovespa pode saltar dos atuais 177 mil para 300 mil pontos em até 18 meses, mas esse cenário otimista depende diretamente do que vai acontecer no âmbito fiscal.
Segundo Rogério de Freitas, head de investimentos do ASA, o mercado brasileiro vive hoje o que ele chama de uma "árvore binomial", na qual o futuro da bolsa está condicionado ao perfil fiscal do próximo presidente.
"Nessa árvore binomial, existe um candidato fiscalmente responsável e um candidato não fiscalmente responsável. Se elegermos um candidato fiscalmente responsável, a projeção do Ibovespa na casa dos 300 mil pontos continua atual. Os ativos brasileiros de risco podem performar muito bem".
Caso um governo menos expansionista assuma o poder, a valorização pode ser ainda mais rápida com um ambiente global favorável.
Diante da incerteza eleitoral, Freitas fala em cautela e simplicidade na montagem da carteira. Ele sugere uma combinação de gestão ativa, em que o gestor escolhe livremente as ações, com investimentos passivos via ETFs.
"Está difícil de escolher setores e tomar decisão nesse ambiente, então é fazer o básico. As ações das estatais e das 'small caps' vão performar muito bem caso haja uma mudança na política econômica, mas, na dúvida, faça o simples. Um mix de gestão ativa com passiva".
Enquanto fundos ativos podem brilhar em um cenário de responsabilidade fiscal, os ETFs surgem como uma proteção mais robusta caso o cenário político se torne menos favorável, já que são compostos por bancos e commodities, setores que tendem a resistir melhor em momentos de turbulência.
No campo da renda fixa, a estratégia do ASA é focar em proteção contra a inflação, especialmente através de títulos do Tesouro Direto com vencimento em 2032.
O objetivo é capturar os juros altos atuais e servir de escudo caso um eventual governo menos rigoroso com as contas públicas pressione a economia, gerando inflação.
Já no crédito privado, a ordem é ser extremamente seletivo. Freitas alerta que o ciclo prolongado de juros elevados tem corroído a saúde financeira das empresas, elevando o risco de recuperações judiciais. Por isso, uma boa estratégia é adotar uma postura conservadora, buscando papéis de altíssima qualidade.
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