O mercado de crédito privado exige dos investidores uma análise profunda que vai muito além dos números apresentados no balanço atual de uma companhia.
Segundo Thais Prado, head de fundos de crédito privado do ASA, "rating e alavancagem atual são apenas o ponto de partida", e a avaliação estática de uma empresa é insuficiente para garantir a segurança dos investimentos.
No segmento de crédito high grade, aqueles em que a credibilidade da companhia é alta, as empresas raramente quebram de uma hora para a outra.
"Em crédito high grade, empresas podem piorar aos poucos mas quando isso acontece de forma gradual, normalmente elas deixam de ser high grade muito antes de chegar a uma inadimplência, dando ao gestor a oportunidade de reduzir ou sair da exposição."
De acordo com a especialista, os perigos reais costumam surgir de reviravoltas repentinas na estrutura financeira ou operacional, como uma aquisição que eleva muito a alavancagem; uma discussão sobre renovação de concessão que traz um novo risco regulatório; ou até a deterioração da controladora contaminando uma subsidiária que, isoladamente, continua saudável.
A complexidade das estruturas corporativas também evidencia que a origem da dívida faz toda a diferença para o investidor.
Thais Prado explica que nem todo crédito de um mesmo grupo econômico é igual. Ou seja, um credor da holding, por exemplo, normalmente está mais distante do caixa e dos ativos operacionais do que um credor da própria subsidiária, o que se torna vital em reestruturações.
A capacidade de antecipação e reação rápida é o que diferencia uma gestão de excelência no mercado atual.
"Esses fatores são detalhes que muitas vezes parecem secundários enquanto tudo vai bem, mas que podem fazer muita diferença justamente quando o crédito muda de direção".
LEIA TAMBÉM: Crédito privado: juros altos atraem volume expressivo, mas exigem cautela