Wealth Planning

"Pautas-bomba", a campanha eleitoral na porta e mais: os destaques de julho

Confira a nova edição da nossa newsletter, com os principais assuntos que devem ser relevantes para o universo de wealth management em agosto
30 de julho de 2026

O bimestre julho-agosto de 2026 marca uma transição no Congresso Nacional. Enquanto o mês de julho foi marcado por intensa atividade legislativa e aceleração das chamadas "pautas-bomba", com pressão sobre o recesso parlamentar (iniciado dia 20) e negociações sensíveis de endividamento rural, o mês de agosto impõe uma rotação de foco para o tabuleiro eleitoral.

Com o avanço das convenções partidárias e a reabertura dos trabalhos sob restrição de tempo, a agenda regulatória e orçamentária exigirá do governo e do mercado uma postura mais cirúrgica, limitando o escopo de votações a poucas prioridades de alto impacto fiscal e político.


Renegociação de dívidas rurais

Numa reta final de julho marcada por tensão política no Congresso Nacional, a Medida Provisória de renegociação de dívidas rurais se transformou em um dos principais termômetros da relação entre o Palácio do Planalto e a bancada agropecuária.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu a linha de frente nas negociações para conter pressões por condições amplas de rolagem de débitos.

A equipe econômica desenhou um texto com critérios de elegibilidade mais restritos. O objetivo central da pasta é assegurar suporte apenas aos produtores que comprovarem perdas de renda, na tentativa de blindar o Tesouro Nacional contra impactos fiscais descontrolados que possam colocar em risco as metas do arcabouço fiscal.

Com a janela de votações restrita no Legislativo, a votação da matéria foi isolada pelo governo como a prioridade absoluta para o mês de agosto. A articulação do Ministério da Fazenda agora busca pacificar o campo político e evitar fraturas na base governista antes do aprofundamento oficial do calendário eleitoral.


Aposentadoria especial para os agentes públicos de saúde

O Congresso Nacional aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 14/2021), que institui regras específicas de aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias (além de agentes indígenas de saúde e saneamento).

O texto regulamenta de forma definitiva o vínculo funcional da categoria e estabelece requisitos próprios de acesso ao benefício, consolidando a importância desses profissionais na atenção primária do SUS (Sistema Único de Saúde).

Pelas diretrizes aprovadas na PEC, os profissionais da área passam a ter direito à aposentadoria condicionada à comprovação de 25 anos de tempo de contribuição e de efetivo exercício profissional, associados a idades mínimas fixadas em 57 anos para as mulheres e 60 anos para os homens.

Além disso, a proposta prevê regras de transição estruturadas para contemplar aqueles que já atuavam antes da promulgação, com vigência estipulada até o ano de 2041.

Apesar do avanço da matéria, o tema gerou debates nos bastidores de Brasília em razão do impacto nas contas públicas. Como a PEC não indicou de forma explícita uma fonte de custeio permanente para honrar o novo benefício exigência constitucional para a criação de despesas previdenciárias, a equipe econômica do governo federal passou a avaliar a possibilidade de questionar a constitucionalidade da medida perante o Supremo Tribunal Federal (STF).


Subvenções aos combustíveis

No final de junho, o governo federal iniciou a retirada gradual dos subsídios concedidos aos combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio. Deixou de valer em 1° de julho a subvenção de R$ 0,35 centavos por litro do diesel.

Havia uma expectativa do governo acabar também com o subsídio de R$ 0,44 centavos por litro da gasolina, com o avanço do acordo de cessar fogo entre Estados Unidos e Irã.

Contudo, a troca de ataques entre os dois países voltou a pressionar os preços do petróleo, o que fez o governo brasileiro reforçar a cautela. O Ministério da Fazenda prorrogou a subvenção por mais 30 dias.


MP do agro

Uma nova Medida Provisória voltada a reestruturar os instrumentos de financiamento e o crédito para o setor produtivo rural, conhecida no meio como a nova MP do Agro, foi editada pelo governo federal.

O texto atualiza marcos legais como a Cédula de Produto Rural (CPR), o Patrimônio de Afetação de Imóveis Rurais e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), buscando destravar novos fluxos de capital privado para o campo.

A medida aumenta as possibilidades de garantias reais para operações de crédito, permitindo que o produtor ofereça frações de suas terras de forma mais ágil e segura juridicamente por meio do patrimônio de afetação.

Com isso, o Ministério da Agricultura e a equipe econômica pretendem atrair investidores institucionais estrangeiros e fundos internacionais focados em critérios ESG, que exigem maior rastreabilidade e segurança jurídica nas operações.

Nos bastidores do Congresso Nacional e do mercado financeiro, a tramitação da MP gerou intensas negociações em torno das regras de renegociação de dívidas e dos limites de juros subsidiados.


Desenrola para MEIs

O governo federal lançou o Desenrola MEI, uma modalidade específica do programa de renegociação voltada a regularizar a situação fiscal de Microempreendedores Individuais que acumularam dívidas do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) e tiveram os débitos inscritos na Dívida Ativa da União.

O normativo que rege a medida estabelece descontos de até 70% sobre juros, multas e encargos legais, ressaltando que o valor principal do imposto devido não sofre redução. Para ter acesso aos benefícios do programa, o microempreendedor deve efetuar o pagamento de uma entrada correspondente a 5% do valor total consolidado da dívida, montante que também pode ser parcelado.

O formato de quitação do saldo remanescente se destaca pela flexibilidade, permitindo parcelamentos longos em até 145 meses, com o valor de cada parcela fixado no piso acessível de R$ 25. Casos específicos de débitos menores de até cinco salários mínimos inscritos há mais de um ano contam com uma regra linear simplificada de 50% de desconto e prazo de até 60 meses.


Brasil Soberano 3

O governo federal apresentou o Plano Brasil Soberano 3, nova etapa de um pacote estratégico para mitigar os impactos de tarifas protecionistas e barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, além de tensionamentos geopolíticos internacionais.

O programa destina um montante superior a R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento, capital de giro e mecanismos de garantia estruturados para atender cerca de 22 setores produtivos e exportadores brasileiros. Para calibrar o alcance dos recursos, a iniciativa dividiu os setores contemplados em grupos específicos conforme o tipo de exposição externa.

O Grupo 1 abrange indústrias atingidas diretamente por tarifas sob as Seções 232 e 301 do comércio norte-americano (como aço, alumínio, madeira, máquinas e setor automotivo), enquanto o Grupo 2 integra exportadores direcionados a mercados estratégicos e regiões afetadas por instabilidades logísticas no Golfo Pérsico.

As taxas de juros das novas linhas variam conforme a finalidade, destacando custos de 8,3% para capital de giro de exportação, 8% para bens de capital, 6,5% para investimentos gerais e uma linha subsidiada de 3% focada na transformação industrial de minerais críticos. O desenho do programa também dá forte ênfase ao suporte de menor porte e à diversificação de parcerias comerciais do país.

Paralelamente, o Executivo tem atrelado o lançamento das medidas à estratégia de fechar acordos bilaterais e blocos de livre comércio (como o avanço das tratativas do Mercosul com parceiros europeus) para diminuir a dependência de destinos comerciais concentrados. Apesar da recepção positiva entre entidades industriais e setores exportadores que pressionavam por salvaguardas, o programa levanta debates técnicos recorrentes na área econômica.

Especialistas e analistas fiscais ponderam sobre o peso potencial desses subsídios e desonerações nas contas públicas, alertando para os riscos de o Tesouro aprofundar a dependência estrutural de segmentos que recorrem sistematicamente a aportes estatais, enquanto a equipe econômica defende a medida como essencial para preservar fatias de mercado e salvaguardar empregos nacionais diante de choques externos abruptos.


O que esperar em agosto

O mês de agosto inaugura um período de transição política decisiva. Com o retorno do recesso, o foco institucional migra rapidamente para o calendário eleitoral.

Com o avanço das convenções partidárias (lançamentos de candidaturas, definição de chapas e início oficial da campanha eleitoral), a presença física dos parlamentares em Brasília será reduzida, estreitando drasticamente a janela de votações no Plenário.

Diante da escassez de tempo legislativo e do volume enxuto de novos programas a serem lançados, a atuação do governo estará concentrada em poucas e cirúrgicas frentes de interesse fiscal e político.


O time de Wealth Management do ASA acompanha de perto os assuntos relacionados nessa newsletter e mais temas que afetam o dia a dia dos clientes, e está à disposição para eventuais dúvidas.

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