Assim como na gasolina, o impacto do prolongamento do conflito no Oriente Médio chegou ao mercado de fertilizantes, crucial para o agro brasileiro.
O Brasil, por ser um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, está entre os maiores consumidores de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos.
Atualmente, o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome.
Essa dependência torna a agricultura vulnerável a movimentos globais, como as restrições temporárias, além das incertezas geopolíticas com o conflito no Oriente Médio.
Esse contexto pode resultar tanto no aumento dos preços quanto na redução da oferta, com impactos diretos dentro da porteira.
Pressão nos preços
O que tem ditado os preços dessas commodities é a duração do conflito. Isso porque quanto mais tempo o Estreito de Ormuz ficar fechado, maior será o aumento nos preços de fertilizantes.
O Estreito havia sido reaberto, mas voltou a ser fechado pelo Irã, que alega "repetidas violações de confiança" pelos Estados Unidos no cessar-fogo dos dois lados.
Neste contexto, uma escassez de produtos representa um risco real devido ao tempo que levaria para os insumos chegarem lá do Oriente Médio.
E, embora os preços possam recuar quando houver uma reabertura integral da passagem, levará meses para que os preços voltem totalmente à normalidade.
Dependência externa
Segundo a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE), o principal nutriente aplicado no agro brasileiro é o potássio, representando 38%.
Na sequência, aparecem cálcio, com 33%, e nitrogênio, com 29%. A maior cultura agrícola brasileira é a soja, que demanda mais de 40% dos fertilizantes aplicados.
O nitrogênio é um dos mais afetados pelo conflito no Oriente Médio. Preços de ureia dispararam de 50% a 70% desde o início da guerra — mostrando o aperto que já existia nesse mercado antes do conflito, bem como o impacto que pode criar para o mercado de fertilizantes em meio ao prolongamento da guerra.
A produção de nitrogênio é concentrada em áreas com acesso a gasolina mais barata. Dado que o Oriente Médio tem um dos preços mais baixos para o combustível, a região tem produção significativa de nitrogênio.
Os preços de potássio, contudo, não foram afetados pelo conflito até o momento. Embora uma parte da produção venha de Israel e Jordânia, a maior parte vem do Mar Vermelho e ainda não sofreu restrições. Enquanto isso, a oferta na América do Norte permanece ampla, limitando uma alta no curto prazo.
Queda na demanda
Em 2025, as entregas de fertilizantes no Brasil superaram as previsões, atingindo 49,1 milhões de toneladas.
Para a próxima safra, a expectativa é de uma possível queda na demanda, em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio e da situação financeira dos agricultores brasileiros (alto endividamento, juros altos e crédito escasso).
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