O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos EUA relativo a novembro mostrou alta de 2,7% na comparação anual, abaixo da expectativa do mercado de 3,1%, conforme dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês).
"Os dados de inflação de novembro devem ser lidos com cautela. Por conta do shutdown, que durou todo o mês de outubro e parte de novembro, o BLS recorreu a interpolações que, na prática, assumem variação zero de preços em outubro para grande parte dos subíndices", alerta Andressa Durão, economista do ASA.
A economista explica que, além disso, algumas séries que são coletadas bimestralmente tiveram seus valores imputados em outubro e repetidos em novembro, gerando um viés de baixa nas leituras de novembro.
"Assim, nem mesmo o dado em 12 meses se torna plenamente confiável, apesar de sinalizar desaceleração maior da inflação", afirma Andressa.
Dessa forma, a divulgação não reflete a dinâmica real dos preços. As distorções devem ser corrigidas nas divulgações dos próximos meses.
Para a política monetária, a falta de dados confiáveis é um fator adicional de cautela para o Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que deve manter a taxa de juros inalterada na próxima reunião, marcada para 28 de janeiro.
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