O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15), conhecido como "prévia da inflação", registrou alta de 0,41% em junho, uma desaceleração em relação aos 0,62% registrados em maio.
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava uma alta de 0,44% na mediana das estimativas do ASA.
Com esse desempenho, o acumulado em 12 meses chega a 4,80%, se mantendo acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central.
A média dos núcleos de inflação variou 0,34% no mês, acumulando 4,45% no período anual.
Embora o índice geral tenha apresentado um comportamento mais contido, dois grupos foram os principais vilões do mês: Alimentação e bebidas (0,74%) e Habitação (0,72%). Juntos, esses setores foram responsáveis por aproximadamente 66% do resultado de junho.
No grupo Habitação, a alta foi impulsionada majoritariamente pela energia elétrica residencial (+2,04%), pressionada pela vigência da bandeira tarifária amarela e por reajustes em diversas capitais.
Em contrapartida, os Transportes registraram uma leve deflação (-0,03%), aliviados pelo recuo nos preços dos combustíveis (-1,22%), especialmente do etanol (-5,30%) e da gasolina (-0,73%).
Para Leonardo Costa, economista do ASA, a leitura de junho é qualitativamente superior à dos meses anteriores, marcado pelo fim da pressão intensa causada pelo choque de combustíveis.
"O resultado de junho traz um balanço qualitativo mais benigno após meses de inflação pressionada pelo choque de combustíveis. O núcleo de serviços veio mais fraco (leitura mensal mais fraca do ano), com desaceleração da média móvel de três meses (+5,4%)".
Por outro lado, ele destaca que persiste alguma inflação residual no núcleo de bens, que segue avançando na média móvel trimestral (5,4%), aparente efeito secundário do choque de petróleo.
Olhando para o restante de 2026, o cenário é de cautela, mas com fatores de compensação. A equipe de macroeconomia do ASA projeta um IPCA de 5,5% para o fechamento do ano.
"O recuo recente do preço do petróleo, em meio ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, representa um vetor desinflacionário relevante; em sentido oposto, o risco de El Niño permanece no radar para o segundo semestre. Em conjunto, avaliamos que o balanço de riscos para a inflação pode estar se reencaminhando para assimetria".
Diante dos dados de junho, a projeção para o IPCA fechado do mês, que estava em +0,39%, deve passar por uma revisão para baixo nos próximos dias.
Leia também: Ata do Copom: BC vê inflação pior e adota cautela