O ambiente internacional segue pressionado e de grande aversão ao risco em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. A guerra, que chega ao 10º dia, segue sem um fim à vista.
As preocupações com uma interrupção prolongada da oferta de petróleo levaram os preços do óleo bruto a subirem acima dos US$ 100 o barril nesta segunda-feira (9), testando o patamar dos US$ 120.
O movimento vem após a confirmação pelo governo iraniano do fechamento do Estreito de Ormuz, com ameaça de atacar qualquer embarcação que tente atravessá-lo. Desde então, nove navios comerciais foram atingidos na região.
O Estreito de Ormuz é extremamente importante para o mercado global de commodities. Por lá, passam cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Houve ainda a nomeação do novo Líder Supremo do Irã e o anúncio da Arábia Saudita, líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), de que irá iniciar cortes na produção de petróleo.
O Irã, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também se juntaram na redução da produção.
"Aumentou o prêmio de risco nos preços do petróleo, porque escolheram o sucessor sendo o próprio filho do Ali Khamenei. A nomeação de Mojtaba sinalizou que o regime iraniano pretendia manter a continuidade ideológica e a resistência contra o Ocidente", diz Felipe Sze, gestor de multimercados do ASA.
Neste contexto, tem havido um estrangulamento do fluxo no Estreito de Ormuz, com acúmulo compulsório de estoques.
A disrupção na oferta de petróleo, com destruição de estruturas petrolíferas e pelo fechamento do Estreito, levou os contratos futuros de petróleo a dispararem mais de 12% nesta manhã.
O petróleo tipo Brent, por exemplo, caminha para o maior ganho diário em dólares desde o início da negociação de contratos futuros em 1988.
Correção nos preços
Apesar das incertezas, Sze avalia que a perspectiva para o médio prazo aponta para uma correção nos preços do petróleo.
“A permanência em níveis tão elevados acelera o processo de destruição de demanda global e provoca respostas coordenadas de oferta, como a liberação de reservas estratégicas (SPR)”, diz Sze.
Petrobras
Em meio à disparada nos preços do petróleo, a defasagem dos combustíveis no Brasil está voltando para níveis de 2024, e é crescente o risco de aumento de preço pela Petrobras.
Em teleconferência com analistas sobre os resultados trimestrais na sexta-feira (6), a presidente da Petrobras Magda Chambriard disse que a empresa não pretende alterar a sua política de preços por causa do conflito no Oriente Médio.
Ela afirmou, contudo, que passou a monitorar mais de perto a evolução do petróleo diante da forte volatilidade recente.
A empresa avalia o cenário diariamente e admite que uma alta persistente do Brent pode exigir respostas mais rápidas, embora a companhia evite repassar oscilações de curto prazo para os combustíveis.
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