macroeconomia

O impacto do conflito no Oriente Médio para a economia dos EUA

Diferentemente de outros conflitos, este atinge países produtores de petróleo, bem como uma passagem importante do fluxo da commodity
05 de março de 2026

A escalada do conflito no Oriente Médio já dura cinco dias e não há perspectivas de uma resolução, com o Irã demonstrando forte capacidade de resistência frente aos bombardeios de Israel e Estados Unidos.

Andressa Durão, economista do ASA, diz não ver, por enquanto, impactos relevantes para a inflação americana. Isso porque o núcleo da inflação, que costuma ser analisado pelo Federal Reserve, exclui itens mais voláteis como energia — que é justamente o que tem pressionado os preços.

O tamanho do abalo à economia global, contudo, pode mudar de acordo com a duração total da guerra.

Impacto "desproporcional"

Diferentemente de outros conflitos, este se concentra no Oriente Médio e atinge países produtores de petróleo, bem como uma passagem importante do fluxo de petróleo, o Estreito de Ormuz, que concentra 20% da importação global de petróleo.

"Em geral, uma guerra cria um movimento de aversão ao risco, então vai impactar moedas e ouro, como tem acontecido. Mas, pensando em commodities, o choque foi pior agora, com alta muito relevante para petróleo e gás, por conta da região", disse Andressa em entrevista à CNN Money.

Ela chama a atenção ainda para o tempo de duração do conflito, que pode levar a impactos desproporcionais conforme o passar das semanas.

"O impacto para o petróleo hoje é um. Mas, se tivermos duas semenas de fechamento do Estreito, o impacto pode dobrar — e isso vai crescendo conforme as semanas vão passando. Então podemos ver um cenário muito pior se essa guerra se estender", completou.

No caso de um prolongamento da guerra, haveria um efeito mais geral na cadeia que poderia levar a um aumento de preço nos EUA e em muitos outros países.

Neste caso, uma cadeia prejudicada teria efeito secundário nos preços e poderia impactar os núcleos de inflação, segundo Andressa, e, consequentemente, pesar no bolso do americano médio.

Atividade americana

Quanto maior a duração do conflito, maior o peso para a atividade americana. De modo geral, o resultado tende a ser uma queda na atividade e um PIB global crescendo menos.

"Há uma paralisação nos países atingidos, as pessoas param de trabalhar e consumir por uma questão de incerteza. Então, a depender do impacto da aversão ao risco nas decisões de consumidores e investidores, vamos ver um efeito de baixa na economia", diz Andressa.

E completa: "E não pensando apenas nos EUA, mas em geral, se vermos uma extensão dessa guerra, teremos um impacto duradouro da incerteza e isso afeta diretamente a economia global."

Andressa cita como exemplo a pendemia e o primeiro semestre de 2025, após o anúncio das tarifas do presidente americano Donald Trump, eventos que elevaram o sentimento de aversão ao risco e mexeram com a economia mundial.

Quando analisados os gastos públicos, a economista do ASA afirma que os EUA estão sendo impactados não apenas pelo custo de produção do armamento, como também pelo envio deste.

"Você tem um arsenal militar sendo enviado para a região, o que custa caro e deve afetar o gasto público. E, se escolher fazer esse gasto, provavelmente terá que tirar de outros setores da economia, mexendo em um orçamento que já é engessado."

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