Macroeconomia

Quais as perspectivas para o câmbio no segundo semestre?

A divisa é sustentada primariamente por eventos externos favoráveis e por uma política monetária contracionista mantida em patamares elevados
06 de agosto de 2026

O mercado de câmbio brasileiro entra no segundo semestre de 2026 com um comportamento resiliente e bem comportado. A análise é da equipe de macroeconomia do ASA.

A divisa é sustentada primariamente por eventos externos favoráveis e por uma política monetária contracionista mantida em patamares elevados, que juntas levam o dólar próximo ao patamar de R$ 5,00.

De acordo com especialistas da instituição, a dinâmica cambial recente tem sido ditada muito mais por vetores internacionais do que por fricções domésticas. O enfraquecimento global da moeda norte-americana tem servido como amortecedor para as economias emergentes.

“O dólar está mais fraco globalmente. Com a Selic em 14%, o diferencial de juros continua atraindo capital externo, o que segura a moeda perto desse patamar", avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

A taxa básica de juros (Selic) estacionada em 14% ao ano desempenha um papel importante nessa equação.

A diferença em relação aos mercados desenvolvidos continua estimulando fluxos robustos de capitais externos para o país, o que acaba garantindo liquidez e contendo pressões de desvalorização abrupta sobre o real.

Apesar disso, o horizonte para o término de 2026 exige cautela. Para o último trimestre, a expectativa da equipe econômica aponta para um ajuste moderado da divisa.

"Nossa projeção para o final do ano é de R$ 5,15, considerando que no último trimestre costuma haver maior saída de dólares".

Essa tendência de alta gradual reflete o comportamento histórico do período.

Se por um lado o cenário macroeconômico atual favorece a estabilidade, por outro o cenário de médio e longo prazo carrega vulnerabilidades.

A leniência com as contas públicas continua sendo monitorada de perto por analistas de mercado.

“O câmbio será o canal de transmissão do nível de leniência do mercado com o fiscal. Se o mundo decidir fazer ajustes fiscais coordenados (como no G20 em 2010), o Brasil ficará em posição desvantajosa por largar de um patamar de dívida muito pior, e essa pressão aparecerá diretamente no câmbio", avalia Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA.

O alerta reforça que, em eventuais episódios de reprecificação global de risco ou de exigência internacional por ajustes fiscais coordenados, o Brasil poderá sofrer pressões assimétricas acentuadas, dada a fragilidade prévia de sua dívida soberana, convertendo o mercado de câmbio no principal termômetro de cobrança da disciplina fiscal do país.

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