Macroeconomia

Selic vai a 14% com novo corte e Copom deixa porta aberta

A decisão dá continuidade ao ritmo gradual de flexibilização monetária adotado pela autoridade monetária
05 de agosto de 2026

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (5) uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, fixando a Selic em 14% ao ano.

A decisão dá continuidade ao ritmo gradual de flexibilização monetária adotado pela autoridade monetária, em uma escolha que veio alinhada às projeções do mercado.

O comunicado, publicado após a decisão, reconhece um ambiente externo ainda desafiador, marcado pela incerteza quanto aos conflitos no Oriente Médio e à condução da política monetária nas economias avançadas.

No cenário doméstico, o documento destacou a continuidade da desaceleração gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, e a melhora da inflação corrente, que ainda se situa acima do limite superior da meta.

"Os próximos passos ficaram em aberto, com o BC se colocando dependentes de dados. Projetamos estabilidade da taxa Selic nas próximas reuniões, mas com risco maior de cortes adicionais nas próximas reuniões, com o foco se voltando agora para setembro", avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

Segundo ele, há conforto do BC em cortar juros no atual ritmo, perante um cenário marginalmente melhor domesticamente.

O documento reconhece a piora adicional das expectativas de inflação de longo prazo, mas também destaca que a projeção para o IPCA no primeiro trimestre de 2028 permanece em 3,2%, nível ao redor da meta e compatível com a decisão anunciada.

"Embora nosso cenário-base continue sendo de estabilização da Selic em 14,00%, o Copom manteve a porta aberta para ajustes adicionais caso a evolução da atividade, da inflação e das expectativas justifique novos movimentos à frente".

Mesmo com o alívio na taxa básica, o juro real brasileiro permanece em patamar significativamente restritivo, o que continua a exercer pressão sobre o ritmo da atividade econômica.

No setor financeiro, a redução deve baratear progressivamente o custo do crédito para empresas e consumidores, ao mesmo tempo em que recalibra o rendimento de títulos de renda fixa atrelados ao CDI, exigindo diversificação por parte dos investidores.

Para os próximos encontros do ano, a expectativa é que o Banco Central preserve o tom de dependência de dados, calibrando os próximos passos de acordo com a trajetória das expectativas inflacionárias e do câmbio.

Agentes de mercado avaliam que o ciclo de cortes deve prosseguir na reunião seguinte de forma comedida.

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