O Payroll, relatório que mostra o desempenho do mercado de trabalho dos Estados Unidos, surpreendeu o mercado no sentido negativo pelo segundo mês consecutivo, com queda do emprego no mês de julho.
Houve também revisões nos dois meses anteriores, que reduziram a média móvel trimestral do emprego para 20 mil em julho.
O número negativo no mês, no entanto, foi causado por uma forte queda do emprego público (-53 mil vagas). A média móvel do emprego privado desacelerou de 80 mil para 40 mil.
A Household Survey trouxe nova queda da taxa de desemprego para 4,1%, depois de ter caído para 4,2% no mês anterior.
A queda da taxa de desemprego foi explicada por uma redução da taxa de participação, enquanto a quantidade de empregados caiu novamente, é o que avalia a economista do ASA, Andressa Durão.
"A composição da força de trabalho americana vem mudando bem. A queda da taxa de participação na ponta tem sido puxada por estrangeiros, enquanto a queda desde o início do ano vinha sendo puxada por nativos".
De acordo com a economista, a queda da taxa de desemprego via fraqueza da oferta de trabalho, seja pela redução da imigração ou da oferta de mão de obra doméstica, "conversa com a narrativa de um nível de payroll neutro mais baixo".
Ela avalia também que o conjunto dos dados parece apontar, por enquanto, mais para uma desaceleração e um reequilíbrio do mercado de trabalho do que para uma deterioração.
Prova disso é que os salários também desaceleraram ainda mais que o esperado pelo mercado, passando de 3,4% para 3,2% em 12 meses.
"Para o Fed, o relatório volta a adicionar um risco de baixa ao mandato do emprego, enfraquecendo o argumento mais duro a favor de uma alta da taxa de juros em setembro."
Os dados de inflação que serão divulgados na semana que vem são aguardados pelos agentes para a avaliação do balanço de riscos do banco central americano e, consequentemente, para calibrar as expectativas do mercado para as próximas reuniões.
LEIA TAMBÉM: Quais as perspectivas para o câmbio no segundo semestre?