A nova proposta de taxação de 25% sobre produtos brasileiros, apresentada pelos Estados Unidos, não deve ter impactos de grande magnitude, em comparação com a primeira rodada de tarifas do início do ano.
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Apesar do temor inicial sobre as barreiras comerciais, analistas apontam que as repercussões práticas na economia real do país tendem a ser consideravelmente mais suaves.
A justificativa para esse otimismo relativo está na estrutura da própria medida. Ao contrário do choque anterior, a proposta atual norte-americana foi elaborada incluindo uma lista extensa de exceções.
Setores vitais da pauta exportadora brasileira foram preservados, incluindo a carne bovina, o café, o petróleo, as aeronaves e peças aeronáuticas, além de minerais, terras raras e diversos outros produtos agropecuários.
Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, no entanto, explica que o mercado vê o novo processo como mais institucionalizado, portanto, com maior risco de permanência e elevada incerteza para exportadores brasileiros.
"O primeiro tarifaço de 2025 (que chegou a envolver sobretaxas de até 50%) foi visto por muitos investidores como uma medida mais política e sujeita a contestação judicial ou negociação diplomática. Já o novo processo pode torná-lo mais difícil de ser revertido rapidamente".
Isto porque, a nova ofensiva corre sob as regras da "Section 301" (Seção 301), um mecanismo tradicional e consolidado da política comercial dos Estados Unidos, o que dá contornos muito mais formais ao processo.
Ou seja, a leitura predominante do mercado neste momento parece ser que o novo tarifaço de 25% é potencialmente mais preocupante do ponto de vista jurídico e de previsibilidade, mas menos preocupante do ponto de vista econômico agregado do que o primeiro choque de 2025.
"Por outro lado, os analistas acham menos grave porque a proposta atual já nasceu com essa lista extensa de exceções, o que reduz significativamente o impacto potencial sobre o PIB brasileiro e sobre algumas empresas listadas."
Enquanto o governo dos Estados Unidos conduz o período de consultas públicas e audiências para bater o martelo sobre a aplicação final das taxas até meados de julho, as empresas brasileiras dependentes do mercado norte-americano, como os setores de metalurgia, madeira e manufaturados, devem enfrentar maior volatilidade.
A blindagem das commodities e do agronegócio, contudo, serve como um colchão importante para amortecer o PIB (Produto Interno Bruto) nacional diante da nova realidade geopolítica.
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Justificativas
Na semana passada, os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maioria das exportações brasileiras, com possível implementação até julho deste ano.
Para justificar a iniciativa, o governo americano alegou que políticas brasileiras em áreas como comércio digital, etanol, propriedade intelectual e meio ambiente acabam por prejudicar as empresas dos Estados Unidos.
As medidas têm validade até o fim de 2027 e fazem parte de uma estratégia mais ampla para revitalizar a indústria americana, com foco no incentivo à produção doméstica e nos investimentos de curto prazo.
O caso está em uma fase de consulta pública antes que qualquer decisão final seja tomada.