Macroeconomia

IPCA-15: Prévia da inflação desacelera, mas vem acima do esperado em março

Na comparação mensal, houve surpresa na inflação no item passagem aérea que, a despeito da sazonalidade, registrou taxa positiva no mês
26 de março de 2026

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado uma prévia da inflação oficial, teve alta de 0,44% em março, desacelerando em relação a fevereiro, quando avançou 0,84%.

A projeção mediana no mercado era de 0,30%, enquanto o ASA esperava inflação de 0,35% no mês. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 3,89% (de 4,10%), refletindo em parte uma base de comparação mais elevada.

Na comparação mensal e em relação à projeção do ASA, houve surpresa no item passagem aérea que, a despeito da sazonalidade, registrou taxa positiva em março.

A média de núcleos de março teve taxa de 0,35% (ASA: +0,31%, mediana Broadcast: +0,35%). Em 12 meses, registrou taxa de 4,32% (de 4,45%). Também em relação à nossa projeção, surpresa altista no núcleo de serviços, com elevação mais forte em serviçso bancários.

Principais destaques

Na abertura, o destaque de alta veio de alimentação e bebidas (+0,88%), com aceleração relevante da alimentação no domicílio (1,10%), puxada por itens in natura e proteínas, enquanto alimentação fora desacelerou na margem.

Também houve pressão em despesas pessoais (+0,82%), com destaque para serviços bancários, e em transportes, com forte alta de passagens aéreas (5,94%), principal impacto individual do mês.

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Por outro lado, combustíveis tiveram leve queda no agregado (-0,03%), com recuo de gasolina e etanol, parcialmente compensado pela alta do diesel. Em habitação, a energia elétrica voltou a pressionar, enquanto em saúde houve alta moderada, puxada por plano de saúde e higiene pessoal.

"Na leitura qualitativa, o dado veio marginalmente melhor na margem, mas com composição ainda desafiadora. A alta de passagens aéreas acabou aparecendo no núcleo por exclusão (fica de fora alimentação no domicílio e preços administrados), enquanto o subjacente de serviços segue pressionado, em parte por fatores sazonais típicos do início do ano", avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

Ele destaca que a volatilidade de itens específicos segue elevada, com destaque para serviços financeiros e componentes ligados a transporte.

A despeito da volatilidade observada em alguns itens, o que se observa é estabilidade na média móvel de 3 meses do núcleo de serviços, que segue operando acima do teto do regime de metas de inflação (de 4,5%). Sem desaceleração adicional deste grupo, o atingimento da meta de 3% fica mais desafiador, diz Costa.

"Olhando à frente, o quadro inflacionário teve uma piora considerável, efeito da continuidade do conflito no Oriente Médio. A inflação de curto prazo deve ficar mais pressionada, com alta mais forte de combustíveis no IPCA de março (mesmo perante ajuste modesto da Petrobras no diesel, dado o contínuo aumento da conta de defasagem) e dos alimentos", afirma o economista.

O ASA projeta IPCA de 4,4% (com viés de alta) em 2026.

A avaliação é de que a deterioração do quadro inflacionário de curto prazo, com resistência em patamar elevado das medidas de núcleo de inflação, devem limitar o ciclo de corte de juros do Banco Central.

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