O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, cortou a taxa Selic na última quarta-feira (18) em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.
O movimento marca o início do ciclo de flexibilização monetária no Brasil, após cinco manutenções da taxa básica. O útlimo ciclo de reduções dos juros aconteceu entre agosto de 2023 e maio de 2024, quando a Selic passou de 13,75% para 10,50% ao ano.
A expectativa é que a taxa continue sendo reduzida nas próximas reuniões, encerrando o ano em 12,25%, segundo o relatório Focus, do BC, mais recente.
O ASA projeta uma Selic terminal (no final do ciclo de cortes) de 12%, mas reconhece que o balanço de riscos ficou mais desafiador.
"Se a alta do petróleo se mostrar mais persistente ou se o conflito no Oriente Médio ganhar novas dimensões, a taxa terminal poderá acabar sendo mais alta do que a projetada atualmente", destaca o time de macroeconomia do ASA.
Em um ambiente de incerteza global e de queda da Selic — mas com a taxa ainda em dois dígitos, como investir?
Fabiano Zimmermann, head de fundos de renda fixa do ASA, destaca que, do ponto de vista de fundamentos, o cenário recente tem sido construtivo para países emergentes, incluindo o Brasil.
Isso se deve à combinação de três fatores principais: preços de commodities ainda elevados, enfraquecimento do dólar frente a outras moedas e a perspectiva de início de flexibilização monetária nos Estados Unidos.
É dentro desse contexto, diz Zimmerman, que devem ser analisados eventuais choques externos, como as tensões no Oriente Médio, que impactam o preço do petróleo.
"Trata-se de um choque de oferta sobre o qual a política monetária tem alcance limitado. Assim, na ausência de mudanças estruturais no equilíbrio entre oferta e demanda da commodity, a tendência é que o Banco Central olhe através desses ruídos e mantenha o processo de flexibilização, ajustando gradualmente o nível dos juros reais", afirma.
Nesse sentido, seriam fatores mais associados à volatilidade de curto prazo do que a uma mudança de tendência.
Diante desse pano de fundo, o gestor avalia que a alocação em títulos indexados à inflação de médio prazo ganha relevância na composição das carteiras.
Segundo ele, o cenário atual aponta para uma possível compressão relevante dos juros reais em prazos intermediários (seis anos de duration). É caso, em especial, de vértices equivalentes ao da NTN-B com vencimento em 2032, que poderiam registrar uma queda de aproximadamente 90 pontos-base em suas taxas reais.
"Em um ambiente de queda gradual dos juros reais, é esperado que as taxas desses papéis também se reduzam ao longo do tempo, abrindo espaço tanto para estratégias de carregamento até o vencimento quanto para ganhos via marcação a mercado", diz Zimmermann.