O Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,75% ao ano, conforme o esperado.
Com a elevação do preço do petróleo e a desvalorização do real, a projeção de inflação da autoridade monetária para o horizonte relevante subiu para 3,3% (se distanciando da meta de 3%, mas aquém da projeção do ASA, de 3,5%).
Os próximos passos estão condicionados aos dados e aos efeitos da volatilidade dos preços sobre a inflação e expectativas. Não obstante à elevação do risco, o BC considerou adequada a "calibração" dos juros, observando haver indícios do impacto do juro contracionista sobre a atividade doméstica.
"Apostamos em corte de 0,50 pp na reunião de abril, com risco de novo corte de 0,25 pp caso não haja arrefecimento no conflito no Oriente médio e recuo dos preços no mercado internacional", diz Leonardo Costa, economista do ASA.
Principais destaques do comunicado
O conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços dos ativos dominaram o comunicado do BC. O balanço de riscos para a inflação, que já estava mais elevado que o usual, se intensificou adicionalmente após o início dos conflitos.
O BC passa agora a avaliar, de forma prospectiva, os impactos (diretos e indiretos) para a inflação doméstica — por ora, a inflação projetada para o horizonte relevante se afastou da meta, indo a 3,3% (ligeiramente abaixo da nossa expectativa de 3,5%).
"Não obstante o cenário externo mais adverso, o BC optou pelo início do ciclo de corte de juros por julgar que há indícios de que a política monetária contracionista já produziu efeitos sobre a atividade, que mostrou desaceleração ao final de 2025", descata Costa.
Sobre os próximos passos, o comunicado deixa claro que o BC iniciou um processo de calibração da política monetária, ao reconhecer que o período prolongado de juros em patamar contracionista já produziu efeitos sobre a atividade, criando espaço para ajustes na taxa básica.
Ao mesmo tempo, o forte aumento da incerteza (especialmente no ambiente externo) leva o Comitê a enfatizar que essa calibração será conduzida com serenidade e cautela.
"Os próximos passos estarão condicionados à evolução das projeções, das expectativas e à maior clareza sobre os impactos dos choques recentes sobre a inflação", diz o economista.
Leia também: Fed mantém juros com incerteza global e projeta corte este ano