Macroeconomia

Inflação persistente leva à revisão de cenário e ASA vê Selic terminal mais alta

Com choques inflacionários, time de macroeconomia do ASA revisou suas projeções e agora espera IPCA e Selic mais altos
27 de março de 2026

Diante de taxas mensais de inflação mais elevadas neste começo de 2026, em especial em meio aos choques inflacionários vindos do cenário externo, o ASA revisou suas projeções para inflação e juros este ano.

Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que na inflação corrente, o impacto inflacionário do conflito no Oriente Médio deve se materializar nas próximas leituras de inflação, sobretudo via combustíveis e alimentos.

Isso deve acontecer à medida que o choque de commodities energéticas e eventuais disrupções na cadeia produtiva sejam transmitidos para os preços domésticos.

Neste contexto, o time de macroeconomia do ASA revisou suas estimativas e agora espera uma inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais alta em 2026, de 4,6%, ante 4,4% anteriormente.

No campo da política monetária, a avaliação é que o Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa.

"Observa-se uma deterioração do quadro inflacionário no curto prazo, com sucessivas surpresas de alta e sinais de maior pressão nos núcleos, em particular no de serviços", destaca Costa.

Além disso, o ambiente externo adiciona um choque de oferta relevante, com potencial de elevar a inflação ao mesmo tempo em que pesa sobre a atividade doméstica.

Segundo o time de macroeconomia, esse balanço de mais inflação (mesmo com menor crescimento) reforça a necessidade de condução mais parcimoniosa do ciclo de cortes.

Dito isso, o ASA revisou sua projeção para a Selic terminal (ao final do ciclo de cortes) para 13% (de 12%), com corte de 0,25 ponto percentual na reunião de abril.

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