Diante de taxas mensais de inflação mais elevadas neste começo de 2026, em especial em meio aos choques inflacionários vindos do cenário externo, o ASA revisou suas projeções para inflação e juros este ano.
Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que na inflação corrente, o impacto inflacionário do conflito no Oriente Médio deve se materializar nas próximas leituras de inflação, sobretudo via combustíveis e alimentos.
Isso deve acontecer à medida que o choque de commodities energéticas e eventuais disrupções na cadeia produtiva sejam transmitidos para os preços domésticos.
Neste contexto, o time de macroeconomia do ASA revisou suas estimativas e agora espera uma inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais alta em 2026, de 4,6%, ante 4,4% anteriormente.
No campo da política monetária, a avaliação é que o Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa.
"Observa-se uma deterioração do quadro inflacionário no curto prazo, com sucessivas surpresas de alta e sinais de maior pressão nos núcleos, em particular no de serviços", destaca Costa.
Além disso, o ambiente externo adiciona um choque de oferta relevante, com potencial de elevar a inflação ao mesmo tempo em que pesa sobre a atividade doméstica.
Segundo o time de macroeconomia, esse balanço de mais inflação (mesmo com menor crescimento) reforça a necessidade de condução mais parcimoniosa do ciclo de cortes.
Dito isso, o ASA revisou sua projeção para a Selic terminal (ao final do ciclo de cortes) para 13% (de 12%), com corte de 0,25 ponto percentual na reunião de abril.
Leia mais: Relatório bimestral indica deterioração do resultado primário oficial