Boa parte das discussões nas reuniões do FMI (Fundo Monetário Internacional) deste ano girou em torno da inteligência artificial e dos riscos associados a ela.
Segundo Andressa Durão, economista do ASA, que acompanhou os encontros, o clima entre os participantes mudou.
"Parece ter havido uma mudança no horizonte de confiança, de forma que o otimismo permanece no curto prazo, mas há menos convicção da maioria sobre a sustentação do ciclo depois do ano que vem, enquanto a produtividade ainda é uma promessa".
Para ela, a conversa também passou a ligar com mais força dois tipos de risco que antes eram tratados separadamente. “A discussão conecta cada vez mais o risco financeiro ao risco macroeconômico.”
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Um dos pontos levantados foi a relação entre a IA e a sustentação do consumo americano.
“Se uma parte relevante da valorização do patrimônio depende das expectativas sobre inteligência artificial, uma possível frustração com os retornos desse investimento poderia ter consequências que vão além do mercado financeiro”, afirmou Durão.
O tema também levou ao risco cibernético, já mencionado nas reuniões anteriores, em abril, mas que desta vez foi citado com mais frequência. Segundo a economista, o cenário mais preocupante é o de um choque sistêmico.
“Ao mesmo tempo em que traz soluções, a IA acelera o acesso e a exploração por criminosos."
Ela explica que as empresas teriam dificuldade para corrigir vulnerabilidades na mesma velocidade, e que a exposição vai além do vazamento de dados, podendo atingir sistemas de pagamento e a interrupção de operações, com efeitos em cascata, inclusive no sistema financeiro.
Por fim, a questão fiscal ganhou destaque nesta edição do evento. Durão lembra que a situação na França já vinha colocando o tema em pauta, mas que, no caso dos Estados Unidos, a preocupação foi retomada com força.
"A preocupação com a sustentabilidade fiscal e o aumento da dívida pública foi, de longe, a mais apontada como o principal risco de alta para os yields de longo prazo nos próximos anos".
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