O time de macroeconomia do ASA revisou nesta quinta-feira (12) o cenário para a inflação de 2026, de forma a incorporar nas projeções parte dos efeitos do acirramento do conflito no Oriente Médio sobre os preços de commodities energéticas.
Agora, a expectativa é de alta de 4,1% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2026, acima dos 3,6% projetados anteriormente. A estimativa segue com risco assimétrico para cima, dado o elevado grau de incerteza e a volatilidade do cenário externo.
O ASA espera aumento da gasolina e do diesel nas distribuidoras, com impacto concentrado em abril e maio, refletindo uma incorporação parcial do risco (de elevação de preço), mas longe de cobrir integralmente a defasagem acumulada.
Alta das commodities
O governo anunciou nesta quinta a redução de R$ 0,32/litro no diesel via isenção de PIS/Cofins, medida que atenua marginalmente a pressão, mas que, segundo os economistas do ASA, não é suficiente para neutralizar os aumentos esperados diante do tamanho da defasagem atual.
"Choques de petróleo oriundos de conflitos geopolíticos tendem a ser temporários, com efeitos inflacionários concentrados nos meses seguintes ao choque, o que justifica a revisão de 2026 sem alteração do cenário para anos subsequentes", diz o time de macroeconomia.
Além do efeito direto nos transportes, a avaliação é de que o encarecimento do diesel deve pressionar as cadeias produtivas de forma mais ampla, com destaque para os alimentos — tanto pelo custo de frete quanto pelo repasse via fertilizantes, que tendem a encarecer em contexto de alta do petróleo, afetando especialmente os itens in natura no curto prazo.
Vale destacar que o Estreito de Ormuz é rota estratégica para exportações de gás natural e fertilizantes nitrogenados do Golfo Pérsico, de modo que a restrição ao tráfego na região deve afetar de oferta de fertilizantes.
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