macroeconomia

IPCA: inflação acelera e tem alta de 0,70% em fevereiro, acima do esperado

Grupo de educação foi o principal destaque do período, com alta de 5,21%, refletindo reajustes típicos de cursos regulares no início do ano letivo
12 de março de 2026

A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou em fevereiro e registrou alta de 0,70%, com surpresa de alta em alimentação no domicílio (carnes) e energia elétrica. Em janeiro, a alta tinha sido de 0,33%.

O resultado veio acima do esperado pelo mercado, com projeção Broadcast de alta de 0,65%. O ASA projetava alta de 0,64%.

Em 12 meses, a inflação recuou para 3,81%, movimento explicado sobretudo pela saída da leitura elevada de fevereiro do ano passado da base de comparação, quando houve o fim do desconto de Itaipu nas tarifas de energia elétrica (episódio que costuma provocar oscilações mais fortes na taxa em 12 meses do IPCA).

A média de núcleos, por sua vez, teve alta de 0,62%. O ASA projetava +0,55%, enquanto a estimativa do Broadcast apontava para +0,57%. Neste caso, houve surpresa de alta em bens industrializados, com destaque para cuidados pessoais e vestuário.

Inflação por grupos

Entre os grupos, educação foi o principal destaque do mês, com alta de 5,21%, refletindo os reajustes típicos de cursos regulares no início do ano letivo (especialmente ensino médio, fundamental e pré-escola).

O grupo de transportes também teve contribuição relevante (+0,74%), impulsionado pela forte alta das passagens aéreas e por aumentos em serviços ligados a veículos, como seguro e conserto de automóveis.

Em alimentação e bebidas (+0,26%), a aceleração veio da alimentação no domicílio, com altas em carnes, feijão-carioca e ovos, parcialmente compensadas por quedas em frutas, arroz, óleo de soja e café.

Habitação (+0,30%) voltou ao terreno positivo após queda no mês anterior, com pressão de tarifas de água e esgoto e leve alta da energia elétrica residencial. Em saúde e cuidados pessoais (+0,59%), destacaram-se os artigos de higiene pessoal e os planos de saúde.

Núcleo de serviços

Na avaliação qualitativa, Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que houve piora na margem do núcleo de serviços.

"A elevada volatilidade de serviços veiculares tem dificultado a leitura do processo inflacionário recente; ao retirar esse item, observa-se um quadro de desaceleração gradual, ainda que com o núcleo de serviços operando em patamar relativamente elevado", diz Costa.

Núcleo de bens

No núcleo de bens, o economista cita que a recente valorização cambial não aparece nos preços, que seguem voláteis e mais pressionados do que o esperado dado o contexto de juros elevados e desaceleração gradual da atividade doméstica.

"Do ponto de vista da política monetária, o Banco Central deve manter o discurso de cautela, aguardando novos dados para avaliar se o resultado de fevereiro reflete ruído estatístico (diante da surpresa em itens mais voláteis e de comportamento incomum) ou um sinal mais persistente da inflação subjacente", afirma.

Segundo Costa, o balanço de riscos para a inflação, no curto prazo, parece menos benigno do que há algumas semanas.

Os alimentos voltaram a rodar mais fortes na ponta, com alta expressiva de itens in natura, movimento possivelmente sazonal e que pode ter sido agravado pelo aumento do volume de chuvas no país.

Além disso, cresce o risco vindo dos combustíveis: a defasagem entre preços domésticos e internacionais está muito elevada, o que aumenta a pressão por reajustes, mesmo sem a Petrobras seguir o PPI (Preço de Paridade de Importação).

Neste cenário, o time de macroeconomia do ASA deve rever para cima a projeção de IPCA para 2026, atualmente em 3,6%.

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