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Investidor estrangeiro vê Brasil como aposta tática, não estratégica

Estrangeiros aproveitam oportunidades pontuais em meio à liquidez da moeda e profundidade do mercado. Apesar do cenário favorável aos emergentes, o desafio fiscal segue como principal preocupação e pode definir o fluxo de capitais
26 de dezembro de 2025

Artigo escrito por Charles Ferraz, head global de investimentos do ASA

Para o investidor estrangeiro, o Brasil é visto como um tema tático e não estratégico. Eles olham o Brasil como uma oportunidade pontual: entram com recursos, impactam o mercado e, da mesma forma que entram, também saem.

O clima que percebemos, conversando com vários desses investidores, é favorável a mercados emergentes, de forma geral. O Brasil aparece entre as alternativas.

A China, por exemplo, é um mercado que muitos gostam, mas é mais difícil de investir. Já o Brasil é visto como um mercado com certa profundidade e liquidez. A moeda brasileira, por exemplo, é uma das mais líquidas entre os emergentes.

O Brasil é uma democracia. Haverá eleições, mas ninguém enxerga uma ruptura institucional. Claro que existem desafios grandes, principalmente o fiscal, que preocupa bastante e está sempre no radar desses investidores.

Muitos destacam que, com juros tão elevados, a velocidade de deterioração fiscal no Brasil é maior do que em outros países, o que gera mais angústia e a necessidade de soluções rápidas.

A política fiscal implementada fará muita diferença. Se o mercado enxergar um novo governo negando o desafio fiscal, por exemplo, os investidores estrangeiros tendem a reagir negativamente.

Qualquer mudança pode gerar grande descolamento no mercado local. No entanto, de forma geral, o cenário continua favorável para ativos de risco, e emergentes — incluindo o Brasil — podem se beneficiar disso.

Há uma onda vindo: se você tiver uma boa prancha, pode ir longe. Mas, se não tiver cuidado, pode virar apenas uma marola, e aí a oportunidade se perde.

Fluxo estrangeiro

O marketcap — valor de mercado das ações do S&P 500, principal índice americano — é de aproximadamente US$ 60 trilhões. Já o Ibovespa representa menos de US$ 1 trilhão, em torno de US$ 700 bilhões.

Isso significa que qualquer movimentação de dinheiro, mesmo pequena, causa um impacto muito grande nos mercados brasileiros. O inverso não é verdadeiro.

Se o investidor brasileiro resolver alocar pesadamente na bolsa americana, o efeito será praticamente imperceptível. Porém, se uma fração pequena desse capital estrangeiro for direcionada para a bolsa brasileira, o impacto é imediato e significativo.

Esse efeito pode ser positivo ou negativo. Em um cenário otimista, o fluxo de recursos impulsiona o mercado. Mas, se os investidores enxergarem que o caminho trilhado pelo Brasil vai em outra direção, o impacto negativo também pode ser gigantesco. É uma variável que exige muito cuidado.

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