Investimentos

Fundos mais que dobram captação no 1º semestre

Setor acumulou uma captação líquida de R$ 184,7 bilhões, um salto em relação aos R$ 84 bilhões do mesmo período do ano anterior
14 de julho de 2026

A indústria brasileira de fundos de investimento demonstrou resiliência e fôlego renovado nos primeiros seis meses de 2026.

Segundo levantamento da Anbima, o setor acumulou uma captação líquida de R$ 184,7 bilhões, um salto expressivo em relação aos R$ 84 bilhões observados no mesmo período do ano anterior.

Este desempenho se consolidou como o segundo melhor resultado para um primeiro semestre dos últimos cinco anos, ficando atrás apenas do recorde registrado em 2024.

Renda fixa e ETFs

A preferência dos investidores se manteve voltada para a segurança e previsibilidade. A renda fixa dominou o cenário, atraindo R$ 108,4 bilhões líquidos, com destaque especial para os fundos de "duração baixa crédito livre", que captaram R$ 70,3 bilhões.

Pedro Rudge, diretor da Anbima, explica que o cenário econômico, marcado por incertezas fiscais e pelo clima eleitoral, impulsiona essa migração. “A busca por previsibilidade tende a manter os investidores concentrados nos fundos de renda fixa. Enquanto esse cenário persistir, essa categoria deve seguir como o principal vetor de crescimento da indústria”.

Paralelamente, os ETFs (Exchange Traded Funds) surpreenderam com um crescimento robusto, registrando entradas líquidas de R$ 32,5 bilhões, frente aos R$ 5,1 bilhões do primeiro semestre de 2025.

Esse movimento foi alavancado, em grande parte, pelos ETFs de renda fixa, que responderam por R$ 27,1 bilhões desse total.

Fundos estruturados

Além dos ativos tradicionais, os fundos estruturados também ocuparam um espaço relevante. FIPs e FIDCs encerraram o semestre com captações de R$ 32,1 bilhões e R$ 30,6 bilhões, respectivamente, enquanto os Fiagros somaram R$ 5,1 bilhões. Para Julya Wellisch, diretora da Anbima, o movimento é estratégico.

“Mesmo em um ambiente de maior cautela, os fundos estruturados seguem sendo utilizados na diversificação, especialmente por investidores de longo prazo. Isso contribui para o financiamento de diferentes setores produtivos, fortalecendo a conexão entre o mercado de capitais e a economia real”.

O desafio dos multimercados

Apesar do saldo global positivo, as categorias de ações e multimercados continuaram enfrentando pressão, registrando saídas líquidas de R$ 6,5 bilhões e R$ 9,9 bilhões, respectivamente.

No entanto, é importante notar que esses resgates foram consideravelmente inferiores aos do ano passado, quando as retiradas somaram R$ 41,5 bilhões e R$ 65,2 bilhões. Os fundos de categoria "livre" foram os que mais sofreram com os resgates em ambos os segmentos.

O ambiente para os multimercados permanece complexo, como aponta Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA.

“O ambiente para os fundos multimercados continua desafiador. Os juros elevados no Brasil seguem favorecendo a renda fixa. Além disso, as rápidas mudanças de cenário macro no primeiro semestre dificultaram a geração de alfa nessa classe de ativos”.

Balassiano cita como exemplo a performance do IHFA (Índice de Hedge Funds Anbima), que rendeu 3,26% no período, bem abaixo do CDI. Em contraste, ele destaca estratégias específicas, como o fundo ASA Zaftra, focado em eventos eleitorais globais, que entregou retorno de 10,15% no semestre.

No que diz respeito ao desempenho dos ativos, na renda fixa, os fundos de duração baixa e média (grau de investimento) empataram no topo com rendimento de 6,8%, igualando o CDI.

No universo multimercado, os fundos de juros e moedas lideraram com 6,4%, superando o IHFA (3,3%). Já nas ações, o destaque ficou com os fundos "mono ação", que concentram a estratégia em uma única empresa, atingindo uma valorização de 13,2%, superando a alta de 6,8% do Ibovespa no período.

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