macroeconomia

Venezuela, juros no Brasil e nos EUA e Imposto de Renda: o que monitorar em janeiro

Relembre o que movimentou o mercado financeiro em 2025 e prepare a sua agenda para o ano que começa
08 de janeiro de 2026

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Como chegamos até aqui

Os temas de inteligência artificial, tarifas comerciais, gastos públicos e juros dominaram o noticiário em 2025.

Um ano que começou com otimismo, mas que contou com uma série de eventos que testaram a resiliência dos investidores. Apesar da maior incerteza e volatilidade, os ativos de risco tiveram bom desempenho.

O Ibovespa encerrou 2025 com 32 recordes de fechamento e uma valorização acumulada de 34% nos 12 meses, registrando seu melhor desempenho anual desde 2016, quando teve ganhos de 39%.

Com maior exposição overweight aos setores de infraestrutura, telecomunicação e construção civil, o fundo ASA Long Only encerrou 2025 com rentabilidade de 37,9%, acima do Ibovespa.

Em Nova York, o movimento não foi diferente: o índice Dow Jones acumulou valorização de 13%, o S&P 500 avançou 16,4% e o Nasdaq subiu 20,4% no acumulado do ano.

Por lá, o cenário é de crescimento sólido, inflação subjacente controlada e mercado de trabalho em arrefecimento.

Embora o Fed tenha sinalizado uma pausa após o corte de dezembro, a avaliação é de que a barra para a retomada do ciclo de flexibilização permanece baixa, configurando um ambiente favorável para ativos de risco.

No Brasil, os principais destaques de dezembro foram as novas incertezas do ambiente político — motivando a antecipação da discussão sobre a eleição de 2026 —, a reavaliação do início do ciclo de corte de juros e a aprovação do Orçamento de 2026.

Na política monetária, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, mostrou uma visão mais construtiva para a desaceleração da atividade econômica, fez mudanças sutis no parágrafo que contém o "guidance" (projeção) e reduziu a estimativa de inflação para o horizonte relevante.


"No geral, a comunicação oficial, as manifestações dos diretores e o Relatório de Política Monetária do 4º trimestre foram uma clara indicação de que o BC prefere seguir com uma abordagem cautelosa, ganhando tempo para observar o impacto de eventos como a reforma do Imposto de Renda e, eventualmente, um câmbio menos pressionado", destaca o time responsável pela família de fundos ASA Alpha.

Neste contexto, a avaliação é de que a probabilidade de um corte de juros na reunião do Copom de janeiro depende de uma combinação muito favorável de fatores para se materializar.

Em Brasília, a votação do Orçamento de 2026 contou com aspectos emblemáticos por pelo menos dois motivos.

Primeiro, destaca-se a aprovação no Congresso da LC 224/25, que prevê o corte linear em 10% dos benefícios tributários, uma medida que até pouco tempo era considerada improvável de avançar no debate político.

Além disso, houve aumento do Imposto de Renda sobre os Juros Sobre Capital Próprio (JCP) e a tributação de bets e fintechs.


O que vem aí

A geopolítica tem dominado as discussões neste início de ano e elevado a volatilidade dos mercados.

A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e Cilia Flores, sua esposa, elevou o grau de incerteza sobre a governança do país. Agora, o casal será julgado pela Justiça dos Estados Unidos em um tribunal de Nova York, com acusações relacionadas ao narcoterrorismo.

Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro e a primeira na linha de sucessão, foi empossada como presidente interina da Venezuela e deve ocupar o cargo por 90 dias — prazo este que poderá ser estendido.

O presidente americano Donald Trump afirmou ontem (7) que "só o tempo dirá" sobre quanto tempo os EUA pretendem controlar a Venezuela.

Um plano em análise prevê que os EUA exerçam algum controle sobre a empresa estatal venezuelana de petróleo Petróleos de Venezuela SA (PdVSA), incluindo a aquisição e comercialização da maior parte da produção de petróleo da empresa.

Enquanto isso, notícias indicam redução das tensões na América Latina, com alguns navios de guerra dos EUA agora se afastando da Venezuela e um tom conciliatório entre Trump e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em conversa por telefone.

No Brasil, o Banco Central se reúne no fim do mês no Copom para definir o rumo dos juros. O ASA projeta corte de 0,25 ponto percentual, com risco crescente de ficar apenas para a reunião de março.


"O contexto atual nos leva a avaliar que este será um processo de redução da restrição monetária motivado essencialmente pela dinâmica da inflação, o que significa que o espaço para aprofundamento dos cortes de juros pode ser limitado", avalia o time da família de fundos ASA Alpha.

Em Brasília, o cronograma de pagamento de emendas parlamentares, o calendário previsto para o pagamento dos precatórios federais (em volume de aproximadamente R$ 70 bilhões, previsto para o final do primeiro trimestre de 2026) e o impacto do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda são pontos de atenção a serem monitorados no início do ano.

Nos EUA, o Federal Reserve também decide os juros do país no dia 28, com expectativa de manutenção da taxa no intervalo de 3,50% a 3,75%.

Ontem (7), dados do mercado de trabalho nos EUA vieram mais fracos que o esperado, enquanto o ISM de Serviços veio forte. O foco do mercado financeiro, contudo, estará da divulgação dos dados de emprego do relatório payroll de dezembro, que saem na sexta-feira (9).

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