macroeconomia

Prévia da inflação de dezembro sinaliza pressão nos núcleos

Alta de 0,25% em dezembro foi puxada por transportes e vestuário. Núcleos acima da projeção indicam risco de persistência inflacionária
23 de dezembro de 2025

A inflação parcial de dezembro (IPCA-15) teve variação de +0,25%, em linha com a projeção do ASA, encerrando 2025 com inflação acumulada de 4,41%. O resultado representa leve aceleração em relação a novembro (+0,20%).

Em relação à projeção do ASA, destaque para o avanço menor do que o esperado para passagem aérea, compensado por uma alta maior que o esperado nos núcleos de serviços e de bens industrializados.

A média dos núcleos avançou 0,32% no mês, ante estimativa do ASA de +0,26%, sinalizando alguma persistência inflacionária. Os descontos da Black Friday perderam força, com alta considerável em vestuário.

O núcleo de bens ficou mais pressionado na margem, com pressão disseminada, o que pode ser explicada pela pior sazonalidade de dezembro e pelo fim dos descontos em seguro veicular.

Inflação por grupos

Pelo índice e entre os grupos pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Transportes (+0,69%) concentrou o maior impacto, refletindo alta expressiva de passagens aéreas e serviços de mobilidade por aplicativo, além de leve retomada dos combustíveis.

Vestuário também acelerou (+0,69%), com aumentos generalizados em roupas. Em Habitação, a alta foi moderada (+0,17%), com pressão de aluguéis e água e esgoto parcialmente compensada pela queda da energia elétrica, beneficiada pela mudança da bandeira tarifária.

Alimentação e Bebidas (+0,13%) seguiu comportada, com nova deflação da alimentação no domicílio (7º mês consecutivo), apesar de altas pontuais em carnes e frutas.

No grupo Despesas Pessoais, houve desaceleração relevante, de 0,85% em novembro para 0,46% em dezembro. A hospedagem registrou queda de -1,18%, revertendo parcialmente a forte alta observada em novembro (+4,18%).

Regionalmente, esse movimento foi particularmente intenso em Belém (PA), onde os preços de hospedagem despencaram -53,7%, em clara correção após o pico associado à realização da COP30.

"Importante notar que, embora a queda de dezembro tenha sido significativa, ela foi menor do que o avanço observado em novembro, o que sugere espaço para nova contribuição desinflacionária em janeiro, porém com impacto bem mais reduzido para o IPCA", afirma Leonardo Costa, economista do ASA.

Do ponto de vista regional, 10 das 11 áreas pesquisadas apresentaram alta em dezembro. Belém foi a principal exceção, com deflação de -0,35%, puxada justamente pela forte correção em hospedagem. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 segue relativamente disperso entre regiões.

Segundo Leonardo Costa, o balanço qualitativo de dezembro foi pior que o registrado nos últimos meses. A média móvel de 3 meses da inflação subjacente de serviços avançou para 5,76%.

"Essa alta pode se repetir nos próximos dois meses, na medida que se desconta a deflação de seguro veicular", alerta Costa.

O subjacente de bens industrializados apresenta melhor resultado devido ao efeito da valorização do real no ano.

O IPCA de dezembro deve ficar próximo da atual projeção do ASA, que é de +0,31%.

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