macroeconomia

Relatório de Política Monetária aponta queda gradual da inflação e hiato negativo até 2027

Documento do Banco Central indica que desaceleração ocorre por surpresas de baixa em alimentos e commodities, mas ainda segue limitada pela pressão de itens administrados e pela resiliência dos serviços
18 de dezembro de 2025

No Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (18), o Banco Central descreve um quadro de desinflação em curso, mas ainda incompleto e sujeito a riscos relevantes.

As leituras recentes confirmam uma dinâmica mais favorável do que a antecipada no início do ano, com surpresas de baixa concentradas principalmente em alimentos no domicílio, beneficiados pela apreciação cambial e por um comportamento mais benigno das commodities, além de alguma moderação nos preços de bens industrializados.

"Esses fatores contribuíram para uma desaceleração da inflação cheia e de algumas medidas subjacentes", diz Leonardo Costa, economista do ASA.

Por outro lado, itens administrados, em especial energia elétrica, apresentaram pressão maior do que a esperada, limitando a queda mais rápida da inflação no curto prazo.

Gráfico mostrando as contribuições para variações trimestrais do IPCA

No caso da inflação de serviços, o relatório destaca que houve algum arrefecimento, mas em intensidade menor do que a observada em bens.

A inflação de serviços segue relativamente resiliente, refletindo um mercado de trabalho ainda apertado e níveis de atividade que, embora em desaceleração, permanecem acima do compatível com a convergência mais célere da inflação à meta.

No horizonte prospectivo, as projeções do Banco Central indicam queda gradual da inflação ao longo dos próximos trimestres, acompanhando a moderação da atividade econômica e a redução do hiato do produto, destaca Costa.

O Banco Central projeta hiato negativo nos próximos trimestres, partindo de +0,2% no 4º trimestre deste ano e chegando em -0,4% no 2º trimestre de 2027 (revisão de alta em relação ao último relatório, que projetava -0,5% no 1T27).

O hiato do produto é uma variável não observável, sujeita a elevada incerteza na sua mensuração, sendo recomendável a utilização de várias metodologias.

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