macroeconomia

Payroll: emprego nos EUA tem surpresa negativa em fevereiro e acende alerta

Mercado de trabalho cortou 92 mil vagas de emprego no período, bem abaixo das projeções, que apontavam para criação de 55 mil
06 de março de 2026

O mercado de trabalho dos Estados Unidos cortou 92 mil vagas de emprego em fevereiro, segundo dados do payroll divulgados nesta sexta-feira (6).

O resultado veio abaixo do esperado, com queda relevante do emprego privado e queda disseminada entre os setores. Consenso de mercado apontava para a criação de 55 mil vagas no período, após geração de 130 mil vagas no mês anterior.

"A surpresa negativa do payroll em fevereiro acende um sinal de alerta, mas segue uma surpresa de alta forte em janeiro, sugerindo que os dados recentes apresentam volatilidade acima do normal", avalia Andressa Durão, economista do ASA.

Não houve revisão relevante dos dados de janeiro, mas os de dezembro, antes já negativos, tiveram nova revisão para baixo. Ainda assim, a média móvel trimestral do emprego privado continuou positiva, ao passar de 70 mil para 18 mil.

Na pesquisa Household Survey houve uma surpresa "dovish", com leve aumento da taxa de desemprego em fevereiro, para 4,4%, enquanto o esperado era estabilidade em 4,3%.

No caso dessa pesquisa houve revisão relevante dos dados populacionais. A taxa de participação caiu de forma significativa no mês, o que ajudou a limitar uma alta ainda maior da taxa de desemprego.

Próximos passos do Fed

Segundo Andressa, ruídos relacionados ao clima, greves e às mudanças na oferta de mão de obra dificultam a interpretação do dado divulgado nesta sexta.

Neste contexto, a avaliação é de que o Federal Reserve, o banco central americano, tende a olhar para a taxa de desemprego, que segue baixa, e acompanhar os próximos relatórios do payroll para avaliar a trajetória em médias móveis.

"O cenário para a taxa de juros ainda é de manutenção na próxima reunião (dia 18). Os próximos meses serão importantes para avaliar se o mercado de trabalho voltou a representar um risco de baixa relevante para a política monetária", diz Andressa.

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