O total alocado por investidores pessoa física no mercado brasileiro atingiu a marca de R$ 9,1 trilhões em junho de 2026, indicando um avanço de 6,4% frente aos números de dezembro de 2025.
O levantamento feito pela Anbima abrange os recursos de clientes do varejo (divididos entre tradicional e alta renda) e do segmento private (composto por carteiras acima de R$ 5 milhões).
O varejo alta renda liderou a expansão do período ao registrar alta de 7,8% sobre o fechamento de 2025. Somando R$ 3,4 trilhões sob gestão, a categoria detém 36,9% de todo o capital aplicado.
O varejo tradicional, correspondente a 32,8% do montante global, avançou 6,1% e fechou em R$ 3 trilhões. O segmento private representa 30,3% do mercado e concluiu os primeiros seis meses de 2026 com R$ 2,8 trilhões, após uma evolução de 5,2%.
As alocações do varejo tradicional em títulos e valores mobiliários (incluindo títulos públicos, ações, CDBs, LCIs e LCAs) cresceram 7,3%, atingindo R$ 1,3 trilhão. O grupo concentra 30% de todas as aplicações das pessoas físicas nesses ativos.
A demanda desse perfil por títulos públicos subiu 27,4%, seguida pelas alocações em LCIs (+21,2%) e pelo investimento em ações (+12,1%).
Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, aponta que essa presença reforçada do varejo em produtos mais complexos evidencia a evolução do conhecimento financeiro do brasileiro, que demonstra maior compreensão das opções de mercado e apetite para diversificar.
Preferências
Os títulos públicos anotaram a maior variação percentual do semestre, subindo 32,9%. A movimentação foi impulsionada pelo segmento private (+56,9%), seguido pelo varejo tradicional (+27,4%) e pelo alta renda (+26%).
Conforme avalia Effting, a manutenção dos juros em níveis altos garantiu destaque aos títulos públicos em todos os nichos. No private, verificou-se uma entrada substancial de novos aplicadores, fazendo o número de contas cadastradas na modalidade saltar cerca de 60% no semestre. No varejo, o crescimento reflete facilitações de acesso, como plataformas mais simples e títulos focados em metas específicas (como o Tesouro Educa+ e Renda+).
Os instrumentos isentos de Imposto de Renda (LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas) chegaram a R$ 1,5 trilhão, avanço de 2% frente a dezembro de 2025. A LCI sobressaiu-se na categoria ao registrar R$ 515,8 bilhões e alta de 13,7%. Apenas no varejo tradicional, esse ativo cresceu 21,2%, enquanto o private expandiu sua posição em 10,9% e o alta renda, em 8,4%.
Fundos estruturados e ETFs
Além do mercado de renda fixa e renda variável direta, os fundos de investimento acumularam R$ 2,2 trilhões, avanço de 9,6%. Por segmento, a expansão foi de 15,8% no varejo tradicional, 10,1% no alta renda e 6,6% no private.
A executiva da Anbima explica que os motores variam conforme o público. No varejo, os FIIs atraem pela renda periódica isenta e pelo recorde em ofertas públicas no período. No private, a prioridade é a busca por diversificação em ativos alternativos e de prazo mais longo, mantendo aportes líquidos consistentes em FIPs ao longo do semestre.
Os ETFs lideraram os ganhos percentuais gerais, saltando 38,8% para R$ 25,4 bilhões, avanço de 41,3% no varejo e de 31% no private. Segundo Effting, a combinação de taxas baixas, liquidez e eficiência fiscal chama a atenção dos pequenos investidores, ainda que os ETFs correspondam a apenas 1,1% do total da indústria.
O volume em ações encerrou em R$ 816,9 bilhões (+1,2%), com impulso de 7,1% no varejo, contra uma queda de 1,5% no private. Effting observa nesse movimento um investidor disposto a diversificar seu patrimônio e mais próximo do mercado de capitais.
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