As debêntures lideraram o volume de ofertas no mercado de capitais em 2025, um movimento que deve se sustentar ao longo deste ano.
No último ano, o montante foi de R$ 492,8 bilhões, superando em 4% o volume contabilizado em 2024 e todos os anos anteriores.
Segundo a Anbima, a associação que regula o mercado de capitais, os recursos captados foram direcionados principalmente para infraestrutura (35%) e pagamento de dívidas (26,2%). Os papéis com incentivo fiscal pela Lei 12.431 também bateram recorde no período (R$ 178,0 bilhões).
Ao todo, 26 setores se financiaram via debêntures em 2025. Energia elétrica aparece à frente com R$ 119,8 bilhões captados, seguido por transportes e logística (R$ 88,3 bilhões), financeiro (R$ 79,5 bilhões) e saneamento (R$ 44,5 bilhões).
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No mercado secundário, o valor negociado de debêntures (com e sem benefício fiscal) cresceu 33,9% e atingiu o valor recorde de R$ 947,4 bilhões, o que já corresponde a quase o dobro do volume de ofertas no primário.
Mercado aquecido em 2026
Na avaliação de Caio Crepaldi, head de fundos de crédito privado do ASA, fatores estruturais do lado da oferta e da demanda devem sustentar um mercado de crédito privado aquecido em 2026.
Crepaldi destaca que a necessidade de refinanciamento das empresas permanece elevada, principalmente após um período prolongado de juros altos, o que ajuda a manter o volume de emissões em patamares robustos.
“Do lado macroeconômico, a perspectiva de queda gradual da taxa de juros tende a ampliar o apetite por instrumentos de longo prazo e a criar espaço para compressão de spreads, beneficiando os emissores e o desempenho dos fundos ao longo do ano”, diz.
Esse ambiente reforça o papel do mercado de capitais como alternativa relevante ao crédito bancário tradicional.
Pelo lado da demanda, o especialista diz não ver uma probabilidade elevada de queda no interesse de investidores pessoa física e institucionais por fundos de crédito privado.
Isso porque a busca por diversificação, retorno ajustado ao risco e previsibilidade de fluxo seguem como principais vetores de sustentação dos fluxos para a classe.
“Ainda que o cenário permaneça construtivo, a seletividade tende a ser ainda mais relevante, com maior diferenciação entre emissores, estruturas e níveis de liquidez. A gestão ativa e a análise criteriosa de crédito continuam sendo importantes nesse contexto, em um mercado que cresce, mas não está isento de volatilidade”, afirma Crepaldi.