O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, está sendo alvo de uma investigação criminal do Ministério Público dos EUA no Distrito de Columbia devido às reformas realizadas pelo banco central americano em seus edifícios em Washington.
Onze bancos centrais (Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Central da Austrália, Banco da China, Banco da Coreia, Banco Central do Brasil, Riksbank [da Suécia], Banco Nacional Suíço e Banco da Dinamarca) emitiram uma nota em favor dele.
O Fed divulgou uma nota de Powell dizendo que essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto das ameaças e da pressão contínua do governo.
Segundo ele, a questão central é se o BC americano conseguirá continuar definindo as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação.
Na avaliação de Andressa Durão, economista do ASA, a tentativa de influência política no Federal Reserve não deve impactar a política monetária de forma a forçar o Fed a cortar juros mais rapidamente.
“Ainda acreditamos em uma taxa de juros parada ao longo do ano, com alguma possibilidade de um ou dois cortes, caso o cenário econômico permita”, disse.
A expectativa do ASA é de manutenção da taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75% na reunião deste mês.
Novos cortes?
Andressa destaca que mesmo com a saída de Jerome Powell, programada para maio, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que define a política monetária dos EUA, ainda será formado por “profissionais sérios, competentes e responsáveis”.
Ou seja, apenas se a trajetória da inflação e do desemprego abrirem espaço para novos cortes de juros ou se de fato a justiça americana permitir que os membros sejam substituídos é que haverá mudança na condução da política monetária.
Já os juros futuros responderão aos riscos de ruptura institucional. Caso as pressões aumentem e a justiça americana seja de alguma forma favorável às decisões de Donald Trump, Andressa diz ver espaço para pressão sobre as expectativas de inflação e sobre os juros.
“A disputa de Trump com a diretora Lisa Cook ainda não terminou, mas as expectativas são de que ela permaneça em seu cargo. A resiliência da diretora e a coragem em combater as acusações foram mais um sinal na direção de que os membros devem terminar seus mandatos e não cederem a pressões”, diz Andressa.
A Suprema Corte dos EUA ouvirá os argumentos sobre o caso Lisa Cook (do Fed) em 21 de janeiro e Trump pode nomear seu indicado para substituir Powell a qualquer momento.