A possível cobrança de IOF sobre títulos de crédito privado hoje isentos já começa a mexer com o mercado, mesmo antes de qualquer decisão oficial. Para Thais Prado, head de fundos de crédito privado do ASA, o efeito mais imediato seria uma corrida por esses ativos.
“A eventual incidência de IOF sobre títulos atualmente isentos pode desencadear um movimento de forte demanda por esses ativos”, afirma.
Segundo ela, a lógica é de antecipação: investidores tentariam comprar agora para garantir posições em estoque que, em princípio, não deveriam ser afetadas pela tributação.
A gestora também aponta uma mudança recente no comportamento dos investidores.
“Após o segundo turno, observamos um mercado de crédito significativamente mais comprador, com o retorno da atenção dos investidores para a renda fixa", diz Prado.
Nesse cenário, o debate sobre o IOF funcionaria como um catalisador adicional. Por isso, a avaliação é que notícias sobre a possível implementação do tributo tendem a acelerar as compras.
LEIA TAMBÉM: Mercado secundário de debêntures bate recorde em 2026
“As notícias relacionadas à possível implementação do IOF tendem a acelerar o fluxo de compras e promover uma compressão adicional dos spreads no curto prazo”, diz Thais.
Na prática, mais compradores disputando os mesmos papéis tendem a reduzir os prêmios pagos sobre o CDI ou a inflação, o que diminui a remuneração de quem entra no momento da antecipação.
O tema também não é novo no setor. Em 2025, a MP 1.303 propôs mudanças na tributação de LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures, e encontrou forte resistência no Congresso. Ao longo da tramitação, o relator retirou da proposta a cobrança de Imposto de Renda sobre debêntures incentivadas.
Já o IOF tem regras próprias: alguns fundos de crédito privado, por exemplo, já cobram o imposto sobre resgates feitos em menos de 30 dias da aplicação.
LEIA TAMBÉM: Crédito privado aposta em seleção rigorosa e garantias em meio a incertezas