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Dólar: queda abre espaço para moedas emergentes

Segundo Gabriel Giannechini, gestor de fundos multimercados do ASA, moedas emergentes com bom carrego estão bem posicionadas para se beneficiar da baixa da moeda americana
29 de janeiro de 2026

Artigo escrito por Gabriel Giannechini, gestor de fundos multimercados do ASA

Os recentes comentários do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, minimizando a importância da depreciação do dólar, ampliaram o movimento de enfraquecimento da moeda que já era observado desde novembro do ano passado.

Como resultado, o índice DXY (Índice Dólar) alcançou níveis não vistos desde 2022.

Esse contexto reflete uma combinação de fatores: incerteza sobre quem sucederá o presidente do Federal Reserve Jerome Powell, preocupações com a trajetória fiscal dos Estados Unidos e ruídos em torno da política comercial e tarifária.

Esses elementos reduziram o prêmio estrutural de 'segurança' do dólar e abriram espaço para uma nova fase de diversificação de reservas e portfólios fora de ativos denominados em dólar.

Nos últimos dias, o movimento ganhou força com especulações de que Japão e EUA poderiam intervir conjuntamente no mercado cambial, vendendo dólares e comprando ienes.

Como o iene é tradicionalmente utilizado como moeda de funding — graças ao seu baixo custo de carrego — ele influencia o movimento do dólar fraco em várias outras moedas.

Isso amplificou o movimento, levando à depreciação do dólar frente a praticamente todas as principais moedas.

O real brasileiro, por exemplo, acompanhou essa tendência, recuando a R$ 5,20, o menor valor desde 2024. O movimento também foi amplo entre moedas emergentes que oferecem altos diferenciais de juros e fundamentos macroeconômicos razoáveis.

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Em um cenário de crescimento global estável e inflação sob controle, países emergentes que mantiverem estabilidade local tendem a continuar atraindo fluxos de investimento estrangeiro, pois o ambiente segue favorável às estratégias de busca por carrego.

Em síntese, a recente fraqueza do dólar decorre da combinação de incertezas políticas e fiscais nos EUA com um ambiente global equilibrado que incentiva a diversificação fora dos ativos em dólar.

Enquanto o posicionamento vendido na moeda americana ainda não parece excessivo, as moedas emergentes com bom carrego e credibilidade doméstica permanecem entre as mais bem posicionadas para se beneficiar deste cenário.

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