O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, se tornou a engrenagem principal dos golpes online que viralizam no país. Um levantamento do Observatório Lupa revelou que, de 115 conteúdos fraudulentos monitorados entre maio de 2024 e abril de 2026, um terço exigia o Pix como método exclusivo de pagamento.
A agilidade da ferramenta, somada à facilidade de manuseio pelo usuário, transformou o Pix na "presa preferencial" dos criminosos para extrair dinheiro das vítimas.
No ciclo mais recente analisado pelo relatório "A Jornada dos Golpes" (maio de 2025 a abril de 2026), o cenário se tornou ainda mais evidente: das 57 fraudes mapeadas no período, 17 exigiam pagamentos exclusivamente via Pix.
Em outros casos, o Pix aparece em conjunto com o cartão de crédito, mas a predominância da transferência instantânea é inegável devido à sua natureza imediata e à dificuldade de estorno em comparação a métodos tradicionais.
A estratégia dos criminosos é clara: eles utilizam o Pix para operacionalizar a promessa de ganho fácil. Como 71% dos golpes atuais focam em promessas de recompensas financeiras, como falsos prêmios, promoções ou supostos benefícios sociais, o Pix se encaixa perfeitamente na "jornada do golpe", servindo como a via rápida para que a vítima envie o valor e o criminoso consiga o saque imediato.
Estima-se que, em 2025, quatro em cada dez brasileiros tenham caído efetivamente em algum golpe, sendo que o Pix é o vetor facilitador para que esses valores saiam das contas das vítimas de forma irremediável e célere.
Como o Pix é explorado na prática
Os fraudadores criam roteiros sofisticados que levam a vítima a uma página falsa, desenhada para simular ambientes confiáveis de bancos ou marcas conhecidas. Após convencer o usuário através de anúncios em redes sociais ou mensagens no WhatsApp, que apareceu em 65% dos golpes monitorados, a etapa final da jornada é quase sempre a chave Pix.
Ao utilizar o nome de personalidades, jornalistas e marcas de grande credibilidade, os golpistas criam uma falsa sensação de segurança. A vítima, ao realizar o Pix acreditando estar participando de uma promoção ou resgatando um benefício, acaba realizando a transferência diretamente para contas controladas pelos fraudadores.
O relatório destaca que o Pix, embora seja um sucesso em termos de conveniência bancária, exige um esforço conjunto para conter seu uso abusivo por cibercriminosos.
O debate envolve a responsabilidade das plataformas digitais, que muitas vezes lucram com anúncios desses golpes, e a necessidade de as instituições financeiras aprimorarem os mecanismos de segurança para rastrear e bloquear transações via Pix em contextos suspeitos.
A mitigação desse problema depende de uma rede de proteção que inclua desde a educação do consumidor até políticas mais rigorosas de moderação de anúncios e segurança bancária.
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