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Golpes digitais avançam com uso de IA e desinformação no Brasil

Estudo aponta aumento expressivo no uso de IA em conteúdos falsos e maior dispersão da desinformação entre redes sociais
19 de março de 2026

A desinformação econômica e o avanço das tecnologias, como a inteligência artificial (IA), têm contribuído para uma maior sofisticação dos golpes digitais. É o que mostra a primeira edição do relatório Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa.

Segundo o levantamento, que analisou qualitativa e quantitativamente 617 conteúdos ao longo de 2025, desinformação e fraudes cibernéticas responderam por cerca de 20% de todo o conteúdo checado.

O destaque ficou com o phishing, as falsas indenizações e as promoções enganosas que exploram a credibilidade de marcas conhecidas.

Neste caso, os criminosos usam indevidamente o nome do governo federal e de instituições bancárias para prometer pagamentos elevados ou compensações por supostos vazamentos de dados que nunca existiram.

É o caso, por exemplo, do golpe que prometia indenização pela fraude no INSS, ou o que alertava o usuário sobre uma suposta irregularidade na declaração do Imposto de Renda.

Em 2025, o WhatsApp foi a principal via de circulação dos conteúdos desinformativos checados pela Lupa, em linha com o ano anterior.

A diferença é que, de um ano para o outro, o aplicativo deixou de concentrar a maior parte da desinformação: sua participação caiu de 90% para 46%, indicando uma maior dispersão dos fluxos.

De acordo com o estudo, a mudança mais relevante aparece na segunda posição do ranking.

Se em 2024 ela era ocupada exclusivamente pelo Facebook, em 2025 passou a ser preenchida pela combinação WhatsApp–Facebook, mostrando que um mesmo conteúdo falso circula simultaneamente nas duas plataformas da Meta.

Peso da IA

Em apenas um ano, o uso de inteligência artificial em conteúdos falsos saltou de 4,65% para 25,77%, segundo o relatório. O crescimento de mais de cinco vezes marca uma virada no padrão da desinformação monitorada pela Lupa.

Em 2024, por exemplo, 14 dos 39 conteúdos com uso comprovado de IA estavam associados a golpes ou fraudes online — cerca de 36% do total.

Em 2025, embora o número absoluto tenha crescido, a participação proporcional caiu: 48 dos 159 conteúdos analisados (aproximadamente 30%) tinham como objetivo fraudes cibernéticas.

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